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segunda-feira, 8 de março de 2021

Mulheres Poderosas.

 

Mulheres poderosas na vanguarda dos tempos.


Há no Brasil e no mundo, milhares de personalidades femininas que devem ser lembradas e homenageadas pelo exemplo deixado por suas conquistas através dos tempos, em diversos segmentos da sociedade.

Para todas elas, nossas Honras e nosso respeito pela herança deixada.

Hoje vou falar um pouco sobre duas delas, amigas, paulistas e são reconhecidas por suas lutas social, histórica e política por São Paulo e pelo Brasil.

Duas mulheres, uma do interior paulista, outra paulistana, com 20 anos de diferença de idade, de níveis sociais distintos, encontram-se em algum momento de suas vidas tornando-se amigas intimas e seguem juntas, com objetivos e sonhos semelhantes, realizam objetivos individuais e comuns, deixando para os brasileiros o exemplo de suas lutas vitoriosas. Em um século em que as mulheres eram relegadas a simples mãe e dona de casa, essas duas mulheres se sobressaem e mostram que são tão capacitadas quanto os homens e que com coragem e perseverança todos os seus desígnios podem ser realizados.




Dra. Carlota Queiroz e Olivia Guedes Penteado em viagem pela Itália, 1926.




Olivia Guedes Penteado em viagem pelo Egito.




Banquete realizado por Olivia Guedes Penteado para o
 lançamento de candidatura de Dra. Carlota Queiroz




Dra. Carlota na Assembleia.


A seguir um pequeno histórico destas duas heroínas:

 

 

Dra. Carlota Queiroz.

Carlota Pereira de Queirós nasceu em 13 de fevereiro de 1892, na cidade de São Paulo. Era filha de José Pereira de Queiroz e de Maria Vicentina de Azevedo Pereira de Queiroz. Faleceu em São Paulo em 14 de abril de 1982. Formou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em 1926, com a tese Estudos sobre o Câncer. Interna da terceira cadeira de Clínica Médica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e chefe do Laboratório de Clínica Pediátrica (1928), foi assistente do professor Pinheiro Cintra. Foi comissionada pelo governo de São Paulo, em 1929, para estudar Dietética Infantil em centros médicos da Europa. Membro da Associação Paulista de Medicina de São Paulo, "Association Française pour l'Étude du Cancer", Academia Nacional de Medicina e Academia Nacional de Medicina de Buenos Aires. Fundou a Academia Brasileira de Mulheres Médicas, em 1950.

Ingressando na política, foi a primeira deputada federal da história do Brasil. Eleita pelo estado de São Paulo em 1934, fez a voz feminina ser ouvida no Congresso Nacional.

Seu mandato foi em defesa da mulher e das crianças, trabalhava por melhorias educacionais que contemplassem melhor tratamento das mulheres. Além disso, publicou uma série de trabalhos em defesa da mulher brasileira. Ocupou seu cargo até o Golpe de 1937, quando Getúlio Vargas fechou o Congresso.

Foi escritora e historiadora, com as publicações Um Fazendeiro Paulista no século XIX e Vida e Morte de um Capitão.

Na Revolução Constitucionalista de 1932, ocorrida em São Paulo, organizou e liderou um grupo de 700 mulheres para garantir a assistência aos feridos. Assim, teve valiosa participação, lutando pelos ideais democráticos defendidos por São Paulo.

 




Sra. Olivia Guedes Penteado.

Olivia Guedes Penteado nasceu em Campinas, 12 de março de 1872   era filha de José Guedes de Sousa e de Carolina Álvares Guedes, os barões de Pirapitingui, proprietários fundadores da Fazenda da Barra em Jaguariúna. Casou-se com seu primo-irmão Inácio Leite Penteado, filho de sua tia materna Maria Higina, que, por seu segundo casamento, foi baronesa de Ibitinga, e do Dr. João Carlos Leite Penteado, descendente de João Correia Penteado *1666 +1739 e Isabel Pais de Barros *1673 +1753. O casal teve duas filhas, Carolina Penteado da Silva Teles, casada com Gofredo Teixeira da Silva Teles e Maria Guedes Penteado de Camargo, casada com Clóvis Martins de Camargo. Faleceu de apendicite em 9 de junho de 1934, após um mês de penoso sofrimento. Foi assistida por sua amiga, Carlota Pereira de Queiroz, e por Aluysio de Castro, médico vindo especialmente do Rio de Janeiro, foi sepultada no Cemitério da Consolação,

Foi uma grande incentivadora do modernismo no Brasil e amiga de artistas-chave do movimento, como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Heitor Villa-Lobos. Olívia conheceu os amigos modernistas em Paris, onde morava, e trouxe para o Brasil pela primeira vez exemplares da obra de Pablo Picasso e Marie Laurencin, entre outros. Olívia Penteado criou o Salão de Arte Moderna, a partir de 1923, quando voltou a morar no país.

Lutou tenazmente pelo voto feminino, graças a sua articulação e à de Pérola Byington, conseguindo eleger a primeira mulher para uma constituinte, a Dra. Carlota Pereira de Queiroz.  

Olívia ingressou no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo no dia 6 de maio de 1932, poucos dias antes de eclodir a Revolução Constitucionalista, tendo sido a décima mulher a tomar posse nessa entidade: “o Sr. Presidente acentuou o brilho e imponência daquela noite, por motivo da posse de três ilustres representantes da intelectualidade feminina paulista – Olívia Guedes Penteado, Ana de Queiroz Teles Tibiriçá e Maria Xavier da Silveira”.

Participou ativamente da Revolução Constitucionalista de 1932. Preocupada com as condições das viúvas e órfãos de voluntários, D. Olívia trabalhou intensamente durante a Revolução de 1932, acompanhada por Carlota Pereira de Queiroz

Prefeito de São Paulo durante esse período, Godofredo da Silva Telles, seu genro, assim se referiu à atuação de Dona Olívia no período da Revolução Constitucionalista:

Durante o movimento constitucionalista de 1932, a sua esclarecida vontade e a imperturbável serenidade de ânimo que era o traço mais forte de sua personalidade, desempenharam importante papel: ela colaborou ativamente no trabalho de todas as senhoras paulistas em prol da causa que São Paulo defendia. Não poupou esforços nem sacrifícios. Tomou parte em todas as iniciativas femininas tendentes a minorar o sofrimento dos que combatiam, socorrendo as famílias que aqui haviam ficado e animando com sua confiança aos combatentes que embarcavam para a frente de combate.

 

Em sua juventude Olivia passou muito tempo em idas e vindas entre Campinas e a Fazenda da Barra em Jaguariúna.

Encontra-se colaboração da sua autoria na revista Contemporânea.

 

 

 

 

A amizade entre Carlota e Olivia também tem uma ligação que se deve, ao que tudo indica, a uma velha amizade de família entre os Pereira de Queiroz e os Guedes, família materna de D. Olivia. Os pais Zezinho e Mariquita eram particularmente amigos de Dona Zitta (Carolina Guedes Galvão), irmã de Dona Olivia, e de seu marido Luizinho (Luiz Antonio Correia Galvão). Além disso, Georgina Galvão, uma das filhas do casal, portanto sobrinha de D. Olivia, casa-se com um primo-irmão de Carlota pelo lado materno, o médico Antonio Candido Vicente de Azevedo, filho de um irmão de D. Mariquita, o Conde José Vicente de Azevedo. O que acrescenta relações de parentesco bastante próximas à amizade entre as duas famílias, e entre as duas mulheres. Há uma amizade forte e recíproca entre elas, a simpatia mútua que liga as duas amigas explica então, ao lado da curiosidade e do gosto pelas viagens, juntas viajaram por vários países. E tal simpatia afirmar-se-á ainda mais após o regresso a São Paulo. De fato, nos anos trinta, a convivência e a identificação entre as amigas terão outras tantas ocasiões de se expressar, como na luta pelo voto feminino, no auxílio em vários setores da Revolução Constitucionalista de 1932 e na campanha para eleição de Carlota.

 


 

Dra. Carlota Queiroz e sua participação na Revolução de 1932.




Sra. Olivia Guedes Penteado em seu Salão em São Paulo.



 Olivia Guedes Penteado, Blaiser, Cendrars e Tarsila do Amaral


CURIOSIDADE.

A Caipirinha, o auto retrato cubista pintado por Tarsila do Amaral em 1923 cujo o título faz referência à sua origem no interior paulista foi vendida por um valor recorde de R$57,5 milhões em dezembro de 2020.

Esta obra, melhor quadro de Tarsila na época, foi doada à sua amiga Olivia Guedes Penteado, a grande patrona dos modernistas nos anos 1920, para que abrilhantasse seu salão de arte em São Paulo. O quadro ficou com a família por três gerações.

 

A Caipirinha - Tarsila do Amaral

Fonte.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Carlota_Pereira_de_Queir%C3%B3s

https://culturageralsaibamais.wordpress.com/2011/02/06/olivia-guedes-penteado-e-a-revolucao-de-32/, acesso em 06 de mar. de 2013.

https://trincheirasdejaguariuna.blogspot.com/search?q=olivia+guedes+penteado

https://braziljournal.com/breaking

http://cral.in2p3.fr/artelogie

 

 

Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo, 2021.

sábado, 25 de março de 2017

Mulheres de 32 – II.


Olívia Guedes Penteado.

Adaptação do texto de Nelly Martins Ferreira Candeias *






“O que me extasiava era a sua disposição,
a sua coragem, a sua alegria,
sua simplicidade de alma,
seu amor pelo próximo, sua fé no Brasil.”
Prof. Goffredo da Silva Telles Jr.



A história oficial sempre relegou a participação da mulher na vida política e social do Brasil, enquanto que a historiografia atual procura resgatar sua presença nos acontecimentos histórico-sociais.
D. Olívia Guedes Penteado nasceu em Campinas, no Largo da Matriz Velha, em 12 de março de 1872. Era filha dos Barões de Pirapitingüy, Tenente – Coronel José Guedes de Souza, poderoso fazendeiro de café no Município de Mogi-Mirim, e de Dona Carolina Leopoldina de Almeida e Souza. Genuinamente paulista, sua descendência teve origem em Fernão Dias Pais Leme por sucessão direta. A família liga-se também a Amador Bueno, a Tibiriçá, o grande cacique de Piratininga, e a João Ramalho. Dona Olívia passou a infância na propriedade paterna, na Fazenda da Barra, em Vila Jaguary que pertencia à Mogi-Mirim, tendo estudado em casa com professores particulares e, durante algum tempo, no Colégio Bojanas. Posteriormente, a família transferiu-se para São Paulo, tornando-se o Barão de Pirapitingüy grande proprietário e capitalista. Aos dezesseis anos casou-se com seu primo, Ignácio Penteado, do ramo dos Penteados de Campinas, que acabara de regressar da Europa, onde permanecera por vários anos em viagens de lazer e estudo.
Por ocasião da revolução de 1924 ela chegou a abrigar em sua residência o poeta vanguardista suíço-francês Blaide Cendras das bombas que caíam na região.
A jovem lutou pelo voto feminino e ajudou a eleger a primeira mulher para uma constituinte.
Dona Olívia ingressou no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo no dia 6 de maio de 1932, poucos dias antes de eclodir a Revolução Constitucionalista, tendo sido a décima mulher a tomar posse nessa entidade: “o Sr. Presidente acentuou o brilho e imponência daquela noite, por motivo da posse de três ilustres representantes da intelectualidade feminina paulista – Olívia Guedes Penteado, Ana de Queiroz Teles Tibiriçá e Maria Xavier da Silveira”.

Dona Olívia em 1932

Preocupada com as condições das viúvas e órfãos de voluntários, D. Olívia trabalhou intensamente durante a Revolução de 1932, acompanhada por Carlota Pereira de Queiroz, que, graças a sua articulação e à de Pérola Byington, viria a ser a primeira deputada federal no Brasil. Prefeito de São Paulo durante esse período, Godofredo da Silva Telles, seu genro, assim se referiu à atuação de Dona Olívia no período da Revolução Constitucionalista.

“Durante o movimento constitucionalista de 1932, a sua esclarecida vontade e a imperturbável serenidade de ânimo que era o traço mais forte de sua personalidade, desempenharam importante papel: ela colaborou ativamente no trabalho de todas as senhoras paulistas em prol da causa que São Paulo defendia. Não poupou esforços nem sacrifícios. Tomou parte em todas as iniciativas femininas tendentes a minorar o sofrimento dos que combatiam, socorrendo as famílias que aqui haviam ficado e animando com sua confiança aos combatentes que embarcavam para a frente de combate. Mais tarde, findo o movimento, quando todos os paulistas se uniram pelo bem de São Paulo, para sufragar nas urnas aqueles que deviam ser os portadores de seu pensamento e da sua vontade na Assembléia Constituinte, ela continuava, com a mesma serenidade, no seu novo posto de animadora cívica, trabalhando nas primeira linhas de Chapa Única. Mas a energia batalhadora do seu coração não ultrapassou a luta. Saiu dela sem ressentimentos nem ódio. Voltou a ser aquela que tinha sido a vida inteira, sorridente e acolhedora, esquecida dos adversários da época”.

Diz seu neto, Goffredo da Silva Telles Jr.:

“Aqui lembrarei apenas que os ideais aparentes do movimento empolgaram a população – e que Olívia Penteado se empenhou em servi-los, de corpo e alma. Durante todo o tempo da luta, que foi um tempo heróico, de sacrifícios e de privações, ela assumiu o cargo de Diretora do Departamento de Assistência Civil. Sem qualquer hesitação, doou jóias valiosas, na ‘Campanha de Ouro para o Brasil’, destinada a reforçar os fundos necessários à manutenção das frentes de combate. Depois, no ano seguinte, nas eleições gerais de 1933, minha avó lançou e apadrinhou a candidatura de Carlota Pereira de Queiroz, médica, à Assembléia Nacional Constituinte e ao Congresso Nacional. Doutora Carlota foi a primeira mulher a ser deputada federal no Brasil “.

Para que não se esqueça, parece-nos interessante reproduzir, aqui, parte da bela oração proferida por D. Olívia Guedes Penteado durante a Revolução Constitucionalista:

Às Mulheres Brasileiras

 “(…) Não há terra como o nosso Brasil. Nós paulistas o sabemos. E, portanto, quando tomamos armas contra os opressores de nossa terra, sabemos e sentimos que não estamos dando combate a nossa pátria. Longe de nós ter qualquer rancor contra os nossos irmãos dos outros Estados. A luta que travamos é contra a opressão, contra o erro, contra o crime. (…) Quem se bate pelo regime da justiça, da liberdade e do direito, será sempre apontado na história da nossa terra, como o defensor da verdadeira, da suprema causa da nacionalidade. Esta causa – vós já sabeis – é a causa da Lei. Temos a certeza de que nossos filhos, que ora seguem frementes de entusiasmo sagrado, poderão em breve, ó brasileiras de todos os estados, abraçar os vossos filhos, que, também constitucionalistas, os esperam com a mesma vibração, a fim de que, juntos, irmãos e brasileiros, possam gritar a quarenta milhões de brasileiros – Tendes agora a Lei! Viva o Brasil!”

A morte de Dona Olívia

Dona Olívia faleceu no dia 9 de junho de 1934, vítima de apendicite, após um mês de penoso sofrimento. Foi assistida por sua amiga, Carlota Pereira de Queiroz, e por Aluysio de Castro, médico vindo especialmente do Rio de Janeiro para acompanhá-la, e que assim se expressou a respeito daquelas horas amargas:

“Há sempre no fim de uma grande vida um grande exemplo. Os que assistiram a Dona Olívia Penteado nas suas derradeiras horas, puderam contemplar, na fortaleza e na candura do seu ânimo, alguma coisa grandiosa, como quando a graça divina se reverbera na expressão humana”.

Seu esquife foi carregado em mãos dos acompanhantes, que o levaram pelas ruas de São Paulo. “Constitui uma tocante e expressiva consagração a homenagem que S. Paulo prestou, na tarde de anteontem, à memória de D. Olívia Guedes Penteado, por ocasião de seu sepultamento” (O Estado de São Paulo, 12 de junho de 1934, Falecimentos).

Recorda Goffredo da Silva Telles Jr:

“Havia uma silenciosa multidão na nossa rua, diante de nossa casa. Quando saímos com o caixão e o entregamos aos bombeiros, para que eles o colocassem lá em cima, no carro, sentimos um movimento do povo, uma aproximação compacta de gente, em torno de nós. (…) E então vimos o total inesperado. O povo silenciosamente se assenhorou do esquife embandeirado. Homens desconhecidos, segurando as alças do féretro, puseram-se a caminho. E o levaram, na força de seus braços, pelas ruas de São Paulo, até a sepultura distante, no Cemitério da Consolação. A multidão anônima seguiu atrás. E dispersou ao fim do enterro. Que povo era aquele? Eu não sei; ninguém sabe, nem saberá jamais”.

Foi sepultada no Cemitério da Consolação, na Rua 35, túmulo 1, ao lado de seu marido. O túmulo é encimado por uma escultura de Brecheret, “A descida da Cruz”, obra adquirida por ela em Paris, no Salão do Outono, em 1923. Logo após a sua morte, Guilherme de Almeida, na Seção que mantinha em O Estado de São Paulo, fez-lhe uma bela e sentida homenagem:

“(…) Dona Olívia era o poema da vida. A idéia da vida, o ritmo da vida e a beleza da vida entrelaçavam-se, nela, tão essencialmente bem, que ela impunha a vida, como um poema impõe a verdade que defende, por menos verdadeira que seja essa verdade. (…) Ella apenas encontrou, no seu aparente desaparecimento, uma nova forma de viver…”

Guy

Assim a relembrou Maria de Lourdes Teixeira:

“Essa figura nobilíssima de mulher, bela, fidalga e ultracivilizada, ficará em nossa história literária e artística como uma das inteligências precursoras que emergiram da sociedade “ancien régime” para a compreensão de um Brasil novo construído por uma mentalidade nova”.

Dona Olívia foi uma mulher excepcional, cujo talento e brilhante atuação se refletem em vários momentos da história da atuação cívica e cultural no Brasil. Seu estilo de vida, provocando encontros e desencontros, abriu um espaço verdadeiramente comum aos homens e às mulheres de seu tempo, fazendo com que a igualdade dos direitos humanos e das oportunidades, pelas quais lutava discretamente, passassem a eliminar a diferença das identidades que retardavam a emancipação feminina. Jamais será esquecida porque lutou contra os preconceitos do seu tempo.

Foi uma Mulher Paulista!


*Nelly Martins Ferreira Candeias é professora aposentada da Faculdade de Saúde Pública e Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.



Família Guedes, da esquerda para a direita: José, Alfredo, Baronesa e Barão de Pirapitinguy,
 tendo em seu colo Altimira, sentada no banco Carolina, em pé apoiada Olívia e Mário





Seus irmãos: Albertina Guedes Nogueira, Carolina, Olívia, Altimira e José Guedes.





Olívia Guedes Penteado.





Túmulo de Olívia e seu marido encimado por escultura de Brecheret, "A Descida da Cruz".




Fonte.

Disponível em:





Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.
25/03/2017.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Heroínas de 1932.




Neste mês, em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, registro aqui uma singela homenagem as Heroínas da Revolução Constitucionalista, desde aquelas que pegaram em armas e foram para frente de batalhas até aquelas que ficaram na retaguarda, mas que também prestaram um grande serviço aos soldados e voluntários e também no apoio dado às famílias dos combatentes.
                                                                     perigrinacultural.wordpress.com



A seguir algumas das mulheres que se destacaram durante a Revolução.
Maria Sguassábia
(Mario Soldado)
                                                                 www.memoriasaojoanense.com


Maria Sguassábia e seu irmão.
                                                                                                  www.memoriasaojoanense.com

Maria Sguassábia na trincheira.
           www.memoriasaojoanense.com
Maria Sguassábia.
Maria Stela Rosa Sguassábiafoi professora primária na Fazenda Paulicélia, próxima a cidade de Santo Antônio do Jardim. Quando viu tropas revolucionárias passarem e, um dos soldados desertou e jogou a farda e a arma fora, Maria recolheu as roupas, vestiu-se empunhou a arma e infiltrou-se na tropa.
Segundo Maurício Marsiglia, neto da combatente, ela acabou sendo descoberta e o capitão do pelotão não queria aceitá-la. “Ele se reportou ao comandante do batalhão, que disse “por que não?”, contou.
 O neto da combatente lembra com orgulho quando a avó rendeu um tenente federalista e lembrou-se do momento em que a avó mais se orgulhava. “O tenente quando percebeu que era uma mulher não queria se render nem entregar de forma alguma as armas. Neste instante, o comandante do batalhão da minha avó disse que o tenente teria que se sentir orgulhoso de ter sido rendido por uma heroína”.
São Paulo perdeu a disputa no campo de batalha, mas dois anos depois conseguiu conquistar a principal reivindicação da revolução. Em 1934, uma nova Constituição foi escrita, que deu o direito de votar às mulheres.
Maria Sguassábia faleceu em 14 de março de 1973, aos 74 anos, e está sepultada no cemitério de São João da Boa Vista.
As mulheres estiveram presentes em quase todos os setores.





Carlota Queiróz
                                                                             novomilenio.inf.br

Carlota Queiróz, Heroína da Revolução - A contribuição da mulher paulista, no movimento constitucionalista de 1932, foi inestimável. Cheias de fé, entusiasmo cívico e força de vontade, as senhoras da sociedade paulista trabalharam sem esmorecimento em prol da causa sagrada. Abandonando as comodidades domésticas e indo para as ruas sofrer com os bravos que pugnavam por um Brasil melhor, a mulher bandeirante escreveu páginas e páginas na gloriosa história da revolução.
                                      http://www.novomilenio.inf.br/festas/1932sp20.htm

As costureiras confeccionavam as fardas dos soldados.
                                                                         www.novomilenio.inf.br


                                                                                                                        novomilenio.inf.br



LAURA THEOTO KROISS (1908-2009)
 A costureira centenária fez as fardas de 32
 A filha se lembra exatamente do dia em que Laura Kroiss, que serviu à Revolução de 32 como costureira das fardas usadas pelos soldados, não conseguiu mais dar o ponto no tricô. Tinha, naquele dia, cem anos.
"Ela estava do meu lado e começou a ter dificuldades. A última coisa que ela fez foi um pedaço de uma colcha que seria rifada num bazar beneficente", recorda a filha Therezinha, procuradora aposentada.
Por quase toda a vida, Laura utilizou agulha e linha com "primor e cuidado". "Tivemos vários vestidos feitos por ela", conta a filha. Fez tricô para instituições de caridade e deu aulas numa paróquia para mães que queriam fazer enxovais. Antes de se tornar costureira, passou por uma fábrica de chapéus. Em 1937, casou-se com um ferroviário, e não mais fez serviços para fora.
Viveu seus 101 anos em Jundiaí (SP), até terça, quando morreu de pneumonia. "Ela foi devagar no envelhecimento", diz a filha. Mesmo pequena e magrinha, era "forte", ressalta Therezinha. E corajosa: chegou a apagar um incêndio no vizinho. Os bombeiros a elogiaram, mas também lhe deram uma bronca: antes de jogar água na máquina de lavar roupa que pegava fogo, ela deveria ter tirado o aparelho da tomada.
Estêvão Bertoni
Sra. Olivia Guedes Penteado
                                             bibliotecadomosteiro.com.br


D. Olívia Guedes Penteado nasceu em Campinas, no Largo da Matriz Velha, em 12 de março de 1872. Era filha dos Barões de Pìrapitingüy, José Guedes de Souza, poderoso fazendeiro de café no Município de Mogi-Mirim.
 Dona Olívia passou a infância na propriedade paterna, na Fazenda da Barra, em Mogi-Mirim, na Vila Jaguary (atual Jaguariúna).
 Posteriormente, a família transferiu-se para São Paulo. Dona Olívia ingressou no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo no dia 6 de maio de 1932, poucos dias antes de eclodir a Revolução Constitucionalista, tendo sido a décima mulher a tomar posse nessa entidade:
“Durante o movimento constitucionalista de 1932, a sua esclarecida vontade e a imperturbável serenidade de ânimo que era o traço mais forte de sua personalidade, desempenharam importante papel: ela colaborou ativamente no trabalho de todas as senhoras paulistas em prol da causa que São Paulo defendia. Não poupou esforços nem sacrifícios. Tomou parte em todas as iniciativas femininas tendentes a minorar o sofrimento dos que combatiam, socorrendo as famílias que aqui haviam ficado e animando com sua confiança aos combatentes que embarcavam para a frente de combate
Para que não se esqueça, parece-nos interessante reproduzir, aqui, parte da bela oração proferida por D. Olívia Guedes Penteado durante a Revolução Constitucionalista:
Às Mulheres Brasileiras
  “(…) Não há terra como o nosso Brasil. Nós paulistas o sabemos. E, portanto, quando tomamos armas contra os opressores de nossa terra, sabemos e sentimos que não estamos dando combate a nossa pátria. Longe de nós ter qualquer rancor contra os nossos irmãos dos outros Estados. A luta que travamos é contra a opressão, contra o erro, contra o crime. (…) Quem se bate pelo regime da justiça, da liberdade e do direito, será sempre apontado na história da nossa terra, como o defensor da verdadeira, da suprema causa da nacionalidade. Esta causa – vós já sabeis – é a causa da Lei. Temos a certeza de que nossos filhos, que ora seguem frementes de entusiasmo sagrado, poderão em breve, ó brasileiras de todos os estados, abraçar os vossos filhos, que, também constitucionalistas, os esperam com a mesma vibração, a fim de que, juntos, irmãos e brasileiros, possam gritar a quarenta milhões de brasileiros – Tendes agora a Lei! Viva o Brasil!”




Maria Soldado
                                                                                       saudadesampa.nafoto.net



O Batalhão de Maria Soldado

A casa, onde Maria trabalhava, foi alvo de bombardeio durante as revolução de 1932. Uma curiosidade a esse respeito ocorreu com ela, que era a cozinheira, trocou o avental por uma farda e saiu arregimentando negros e índios pelo interior do Estado. O resultado foi que ela acabou por formar um batalhão, trouxe-o para a capital e o acampou nos jardins do palacete, antes de seguir para o front. A proeza lhe valeu o apelido de “Maria Soldado” e, tal qual Diadorim- personagem de Guimarães Rosa- seu verdadeiro sexo só foi descoberto ao ser ferida. Tão célebre se tornou, que seu féretro saiu da Biblioteca Municipal.

Maria José Bezerra da família Penteado Mendonça. Alistou-se, fazendo-se passar por homem para poder lutar pela causa da constitucionalidade brasileira; exemplo maior de mulher voluntária no Movimento Constitucionalista de 32. . Sobre ela o jornal A Gazeta (5/9/32) assim referiu-se: "Uma mulher de cor, alistada na Legião Negra, vencendo toda a sorte de obstáculos e as durezas de uma viagem acidentada, uniu-se aos seus irmãos negros em pleno entrincheiramento na frente do sul, descrevendo a página mais profundamente comovedora, mais cheia de civismo, mais profundamente brasileira, da campanha constitucionalista, ao desafiar a morte nos combates encarniçados e mortíferos para o inimigo, MARIA DA LEGIÃO NEGRA! Mulher abnegada e nobre da sua raça". (1859-1944).

http://www.malcolmforest.com/pdk/maria-soldado.htm




Em todos os momentos a mulher Paulista animou os bravos que partiam para o front.
                                            http://www.novomilenio.inf.br/festas/1932sp12.htm




As mulheres participaram da Revolução, em sua maioria, como enfermeiras, costureiras e cozinheiras.
                                                                                    bloghistoriacritica.blogspot.com



Preparação dos alimentos.
                                                                http://bloghistoriacritica.com.br
As mulheres foram incumbidas de preparar o rancho (alimento), colaborando efetivamente.
                                                  perigrinacultural.wordpress.com
Entre as enfermeiras gostaria de destacar minha prima, Ondina Mendes Parreira e minha tia, Gertrudes Bonilha de Toledo.
                                                                                                         bloghistoriacritica.blogspot.com





                                                                                                                        tn.temmais.com
                                                                                                marciocarlosblog.blogspot.com

Sra. Mariinha


Maria Celestina Teixeira Mendes Torres, nasceu em Piracicaba, em 18 de julho de 1910. Filha do engenheiro piracicabano Dr. Octávio Teixeira Mendes e dona Leonina Marques  Mendes

Formou-se Professora normalista pela Escola Normal de Piracicaba, exerceu o magistério em escolas rurais paulistas. Tornou-se professora primária comissionada junto à Faculdade de Filosofia, Ciências e letras da USP (Universidade de São Paulo), onde fez o curso de Geografia e História, entre 1935 e 1938, integrante da 2ª turma. Em 1932 participou da Revolução Constitucionalista ao lado do pai e quatro irmãos, realizando trabalhos de enfermeira no front (Vale do Paraíba).

  Transformou-se na primeira mulher historiadora de Piracicaba, foi Catedrática de História do Instituto Sud Mennucci, de Piracicaba, aposentando-se em 1964. Lecionou em diversos colégios de Piracicaba e Campinas, para onde se transferiu após a aposentadoria. Como historiadora, escreveu uma coleção sobre os bairros da cidade de São Paulo.

 Faz parte da Academia Piracicabana de Letras, da qual é membro efetiva, e tem como patrono seu pai, Octávio Teixeira Mendes. Também é membro da Academia Campinense de Letras. Os trabalhos de Maria Celestina, no setor público, vão muito além deste breve currículo. Sua trajetória de vida e trabalho se confundem com dedicação à família e aos amigos, sendo considerada uma celebridade “em matéria de encanto”, como descreveu seu marido

                                                                            http://voluntariosdepiracicaba.blogspot.com.br/2012/01/revolucionaria-e-primeira-historiadora_09.html.
Judith Meira Mattos




Judith Meira Mattosteve uma vida toda dedicada à causa constitucionalista. Seu irmão, ao ser voluntário, faleceu durante os combates da Revolução Constitucionalista de 1932. Seu marido presidiu o Núcleo MMDC de Piracicaba por mais de 20 anos. A mesma dirigiu o Núcleo de 2001 a 2009 e, com o avançar da idade, dedicou-se mais à vida familiar.
   Judith nasceu em 11 de abril de 1921 em Piracicaba (São Paulo). É filha de Josué Meira Barros e Bianca Buldrini de Barros. Era descendente de avós italianos que buscaram no Brasil um espaço para o crescimento profissional na virada do século 19 para o século 20.
   Estudou no Colégio Piracicabano em 1939 e casou-se neste mesmo ano, em 24 de março, com Manoel Sampaio de Mattos. Teve os filhos: Raul Carlos Sampaio Mattos (professor e advogado), Manoel Sampaio Mattos Filho (professor e engenheiro civil) e Peter Alexander Mattos.
   Era irmã de Romeu, Julieta, Natal, Ivone, Luiz e Octávio. Natal fugiu da casa dos pais em 1932 e se alistou como voluntário, aos 17 anos, em São Paulo, falecendo no final de agosto devido a um tiro que recebeu no pescoço em Cruzeiro, divisa de São Paulo com o Rio de Janeiro.
   Judith foi professora e nos anos de 1940 partiu para Araras onde residiu por alguns anos. Seu marido, Manoel Sampaio Mattos dirigiu o Núcleo MMDC em Piracicaba de 1969 a 2001, quando faleceu e aos  92 anos ela  continua na sua dedicação à causa constitucionalista.

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As mulheres que montavam os Capacetes de Aço.
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Caridad e Edmundo
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Edmundo e Caridad, feridos nos campos de batalha.
Lágrimas de Mulher
Silvia Trevisani
Lágrimas que vertem nos olhos
Salgadas como a tristeza que aflora
Cansadas de seus abrolhos.
Deslizam sem culpa pela face afora.
Lágrimas que sufocam a saudade!
Que apagam os sonhos e geram vidas,
Lágrimas de alegrias, de realidade,
Deslizam nas faces sofridas.
Lágrimas caprichosas,
Das damas, das meretrizes,
Das donzelas e das senhoras,
Sonhando com os matizes.
Lágrimas que envolvem a sorte,
Que acompanham os filhos à guerra,
Teimosas que levam a morte,
Inconsoláveis que molham a terra!
Lágrimas que acalentam o filho,
Que regam um amor perdido,
Enganam um coração sofrido,
Que esperam por um sorriso!
Uma gota de lágrima quente,
Que nasce por um motivo qualquer...
A torna um ser diferente,
Incessantes lágrimas de mulher...
O Núcleo de Correspondência  Trincheiras Paulistas de 32 de Jaguariúna deseja a todas as mulheres um feliz Dia da Mulher.
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ANIVERSÁRIO DO PORTAL “TRINCHEIRAS DE JAGUARIÚNA”!

    14 ANOS! Em 2012, iniciei as pesquisas relacionadas à Revolução Constitucionalista de 1932 em Jaguariúna. Nestes 14 anos, muitas mat...