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quinta-feira, 7 de março de 2024

MENSAGEM DAS SENHORAS PAULISTAS EM 1932!

 

MENSAGEM DAS SENHORAS PAULISTAS AOS SOLDADOS DA CONSTITUIÇÃO E AOS BRASILEIROS DE OUTROS ESTADOS.


Em um dia de 1932 mulheres se reuniram para apoiar o movimento constitucionalista:


O Ministro Oswaldo Aranha, em sua oração, pretendeu denunciar como criminosos o Estado que ousou rebelar-se contra a ditadura e que vinha sendo sacrificado pela sua felonia ao rancor e à ambição dos despeitados. Mas São Paulo, apostolo da Lei e redentor do Brasil, não será vencido. Com ele e por ele estão todos os filhos dos outros Estados aqui residentes e os que no Brasil inteiro vibram pelo mesmo ideal.

São Paulo lutará, mas triunfara, porque possui a fé inquebrantável na sua alta missão e na legitimidade do direito que defende.

São Paulo vencerá, porque sabe realizar milagres de resignação, de pertinácia e de bravura.

Vencerá porque o nobre povo paulista acompanha unanimemente, delirantemente, os seus bravos amigos do Exército e da Força Pública que combatem a ditadura.

Vencerá, porque não foram os políticos que levantaram São Paulo pelo Brasil! Não teriam eles o poder de inspirar tanta abnegação, tanto heroísmo, a uma população inteira. Nem foram os militares, que dispõem de armas, mas não dispõem de consciências. E é unicamente a consciência cívica, o admirável patriotismo dos paulistas e de seus irmãos de ideal, que os impele irresistivelmente ao sacrifício pela pátria comum.

São Paulo vencerá, porque não se bate nunca por interesses mesquinhos. Porque a causa paulista traduz o mais puro anseio das almas brasileiras.

São Paulo vencerá porque todas as famílias se dedicam abnegadamente, fornecendo às tropas todo o conforto material e moral, e o imenso contingente de civis que as reforçam.

Que nos ouçam e nos secundem os nossos irmãos dos outros Estados! São Paulo que soube sofrer, que soube esperar, também saberá vencer! As deslealdades não nos intimidam; nem nos atemorizam as ameaças. Seremos vitoriosos para a felicidade do Brasil.

Antonietta Penteado da Silva Prado, Corina Prado de Mendonça, Alice P. de Mendonça, Marietta Chaves da Silva Ramos, Jane C. Pacheco e Chaves, Mercedes da Silva Ramos, Maria Helena Prado da Silva Ramos, Victoria Pinto de Almeida Lima, Lavinia Prado de Oliveira, Julita Prado Alves de Lima, Stella A. de Lima Rodrigues, Elisa de Rezende Puech, Albertina Spengler, Rachel Simonsen, Ismenia Glasser Junqueira, Maria Augusta R. Ferreira, Luiza Gama Cerqueira de Carvalho, Esther Cardoso de Almeida, Maria Galvão Bueno Rodrigues, Maria Candida Rodrigues M. Abreu, Leonor Sampaio Moreira, Maria N. Sampaio Moreira, Ernestina P. Alves de Almeida, Clotilde Uchôa da Veiga, Sylvia de Carvalho Thiollier, Clarisse Sampaio Moreira, Eunyce Alves de Lima Pochat, Heloisa Alves de Lima Porchat, Heloisa Alves de Lima e Motta, Isabel Rodrigues Sodré, Helena de Magalhães Castro, Eleonor de Mello Alves, Haydée Ferreira Rodrigues, Maria de Lourdes de Magalhães Castro, Onadyr Ribeiro de Camargo, Helena Faria de Magalhães Castro, Clarice de Magalhães Castro, Francisca Nogueira de Moraes Barros, Maria Ignez Mendes Pinheiro, Elisa de Moraes Mendes, Sylvia Mendes Cajado, Annita Junqueira, Sylvia Barros Uchôa, Adelia J. Ribeiro dos Santos, Amelia Uchõa Junqueira, Isabel de Oliveira Paranaguá, Lucia de Barros Maranhão, Amanda Paranaguá de Almeida Brandão, Vera Paranaguá de Almeida Brandão, Vera Paranaguá de Sousa Dantas, Kothe Schorcht Antunes dos Santos, Elisa de Toledo Schorcht, Noemi Oliveira de Barros, Irene Garcia de Oliveira Barros, Gertrudes Barros de Souza Queiroz, Anna Barbosa Guyer, Margot Barbosa Guyer, Mabel Barbosa Guyer, Antonietta de Souza Queiroz Oliveira, Gabriella de Souza Queiroz Oliveira, Carolina da Costa Carvalho de Souza Queiroz, Sabina de Souza Queiroz do Amaral, Noé de Paula Lima, Albertina V. da Silva Gordo, Antonia de Souza Queiroz, Rosa Barros Amaral, Carolina Penteado da Silva Telles, A. Branco Lefèvre, Maria de Lourdes Lefèvre, Maria Rabello da Silva, Dóra Leme da Fonseca, Wanda Arouche de Toledo, Dinah Caiuby, Nina Penteado, Amanda Penteado, Maria Penteado, Helena Marina Penteado de Rezende, Beatriz Caiuby Salles, Georgina Boucherville Caiuby, Odette O’Leary, Marina O. de Almeida Prado Penteado, Myrtes Brasack, Gilda Nogueira, Yolanda Pereira de Almeida, Carolina Fraga, Nair de Carvalho Medeiros, Albertina Pereira de Almeida, Marina Sabino de Assumpção, Cecilia e Anita Fraga, Julia Leme da Fonseca, Julieta de Carvalho, viúva Theodoro Carvalho, Angela Vampré, Adelina de Campos Lara, senhora Octavio de Carvalho, Cecilia C. Monteiro de Barros Claudio Silva, Raphaela Sampaio Vianna, Stela Lafayette da Silva Porto, Sylvia Brotero, Beatriz Piza Lacerda, Bella Conceição, Maria Joanna Rodrigues dos Santos, Mary Sampaio Vianna, Rosalina Marques de Souza, Stella Piza, Bellinha Piza, Yolanda Pires de Campos, Julia Toledo Piza, Sylvia de Barros, Gilda Conceição Brant Carvalho, Olga Conceição Teixeira de Carvalho, Hemantina Conceição, May Conceição de Souza Neves, Joannita Paula Leite de Barros, Helena de Moraes Salles, Cinira Leite de Barros, Carlota Pereira de Queiroz, Annita Malfatti, Josephina Paula Leite Nogueira, Annita Paula Leite de Barros, Nenê P. Leite de Souza Queiroz, Sarah Ribeiro, Olivia Guedes Penteado, Adelia Carvalho de Moraes Salles, Clotilde de Freitas Camargo, Julia de Freitas, Nadyr Braga, Clara Fonseca, Anna Queiroz Telles, viúva Theodureto de Carvalho, Josephina Malta Cardoso, senhora Raul Boliguer, Ignez de Queiroz Telles, senhora Padua Salles, Margarida Moreno, Edith da Gama Cerqueira, Elisa Barros Alves de Lima, CacildaLevy Passos, Maria da Gloria Passos Maia, Eugenia da Gama Cerqueira, Anna de Toledo Passos, Judith Mesquita, Alice Rodrigues Dias, Zuleika Duarte Nunes de Freitas, Leonor Cardoso de Mello, Dulce Cardoso de Mello Munhoz, America Kingelhoefer de Miranda Jordão, Marina Munhoz, Nazareth Cardoso de Mello, Maria de Lourdes Lopes Chaves, Helena Brant Carvalho, Lygia Cintra Rodrigues Dias, Cacilda F. da Gama Cerqueira, Nair Miranda Pirajá, Arethuza Pompeia, Sylvia Mattos Pimenta, Magdalena Barcellos Miranda, Lucia F. Sampaio Vianna, condessa Penteado, Elisa Silva Prado, Marietta Ferreira Campos Salles, Gabriela Ribeiro dos Santos, Lucilia Corrêa de Oliveira, Rosée de Castro Magalhães, Maria Julia de Toledo Setubal, Ercilia de Aguirre Quintella, Maria do Carmo Aguirre Quintella, viúva  dr. Alex Pedroso, Isolina de Toledo Ribeiro, Clarita Mendonça Cortez, Maria Peixe, Le Almeida Prado Pedroso, Maria Pedrosa Orlando Martins, Isabel de Oliveira Paranaguá, Amanda Paranaguá Brandão, Verá Paranaguá de Souza Dantas, Noemi Oliveira de Barros, Maria da Silva Guerra, Irene Garcia Oliveira de Barros, Sylvia Souza Queiroz do Amaral, Maria Flora A. de Souza Queiroz do Amaral, Lucilla de Souza Queiroz, Adelaide de Souza Queiroz, Maria do Carmo Paes de Barros, Maria Rosa Paes de Barros, Albertina Paes de Barros, Eugenia Rodrigues de Andrade, Helvira de Oliveira Caiuby, Maria Antonietta Camargo  Lima, Alzira Seabra Camargo, Irene Nogueira, Dulce de Souza, Guiomar Seabra Ferraz, Beatriz Oliveira Camargo, Laly o. Seabra, Bebe Seabra, Odete Seabra Stein, Helma Oliveira Silva, Celina Lima Malheiro, Maria do Carmo Lima, Argentina Almeida Santos, Luiza Almeida Santos, Annita Santos, Sophia Almeida Santos , Ismalia de S. Queiroz Sampaio,  Antonia S. Queiroz  de Oliveira, Ismenia de Souza Queiroz, Georgina de Aguiar Barros, Odila de Aguiar Barros, Maria de Mesquita Sampaio, Thereza Pompêo de Queiroz Lacerda, Lucia Lacerda de Souza Queiroz, Cecilia de Souza Queiroz, Margarida de Lacerda Ferraz, Maria Lacerda Pompêo de Camargo, Domitilla Leite Santos, Maria Flora de Leite Santos, Benedita de Paula Leite Santos, Lunita de Paula Leite Sampaio, Ainda Joppert de Paula Leite, Carolina Pacheco Paula Leite, Escolastica Almeida Barros, Francisca Almeida Barros, Maria Leite Cunha, Adelina Leite Ulson, Clarice Pompêo Piza,Marilia Pompêo Piza, Cacilda Figueiredo, Nelia de Paula Leite, Odila de Paula Leite, Laly de Paula Leite, Leonor de Paula Leite O. Camargo, Maria de Paula Leite Novaes, Alipia de Paula Leite Paraiso, Leticia de Paula Leite Camargo, Cornelia de Paula Leite Lara, Maria de Paula Leite Moraes, Maria Isabel de Paula Leite Novaes, Elvira de Arruda Leite, Dadá Silveira de Paula Leite, Diva Fonseca de Paula Leite, Nair Moraes de Paula Leite, Beatriz Lara de Paula Leite, Cecilia de Paula Leite Camargo, Isabel de Paula Leite, Elisa Margarida Galvão de Camargo, Antonieta Galvão de Camargo, Antonietta Corrêa Galvão, Floriza Silveira Correa, Nawy Silveira Corrêa, Maria de Almeida Campos Mesquita, Maria de Campos Mesquita, Antonietta Campos Mesquita, Luiza Duarte Pereira, Celina Duarte Pereira, Judith de Mello Padua, Alzira Duarte, Adelaide Duarte, Anna Ramos, Henriqueta Nacolina, Candida Joly da Silveira, Edith Lima Malheiro, Maria Luisa Guimaraes, Maria Euphrasia Pinheiro Lima, Romilia Joly da Silva, Cacilda Joly de Lima, Rosalia Malheiro, Nicolina Soares Moreira Freire.

“Honra, bravura, heroicidade, amor e religião, eis os fatores que fazem a Mulher Paulista a mulher por excelência dos nossos dias, o ente adorado, o Anjo mais perfeito que Deus pudera dar a um povo como prêmio e galardão das suas virtudes”.

 

 


Honras a estas mulheres que lutaram pela Lei, pela Ordem e pela Constituição e à todas as mulheres do Brasil um excelente Dia Internacional Das Mulheres é o que deseja o Portal Trincheiras de Jaguariúna.

 

Fonte.

Rodrigues, J., A Mulher Paulista no Movimento Pró Constituinte. Empresa Gráfica da Revista dos Tribunais, 1933, 192p.

 

Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

FELICITAÇÕES DE NATAL, 2021.

 


O PORTAL TRINCHEIRAS DE JAGUARIÚNA DESEJA A TODOS OS AMIGOS, IRMÃOS DE ARMAS E SEGUIDORES UM FELIZ NATAL COM MUITA SAÚDE, PAZ E AMOR!


“Anjinho de Luz”

Ruth Christensen, original pintado com a boca.

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                                            Cartão de Natal dos Pintores com Boca e Pés.


“[…] Não há terra como o nosso Brasil. Nós paulistas o sabemos. E, portanto, quando tomamos armas contra os opressores de nossa terra, sabemos e sentimos que não estamos dando combate a nossa pátria. Longe de nós ter qualquer rancor contra os nossos irmãos dos outros Estados. A luta que travamos é contra a opressão, contra o erro, contra o crime. […] Quem se bate pelo regime da justiça, da liberdade e do direito, será sempre apontado na história da nossa terra, como o defensor da verdadeira, da suprema causa da nacionalidade. Esta causa – vós já sabeis – é a causa da Lei. [...]” (Trecho da oração proferida por Olivia Guedes Penteado durante a Revolução Constitucionalista em 1932.)

Que nosso País se mantenha dentro da Ordem e da Lei respeitando a Constituição pela qual Soldados Constitucionalistas deram a vida e a maior demonstração de civismo e amor à Pátria.

 




Fonte.

https://trincheirasdejaguariuna.blogspot.com/2017/03/mulheres-de-32-ii.html

https://culturageralsaibamais.wordpress.com/2011/02/06/olivia-guedes-penteado-e-a-revolucao-de-32/, acesso em 06 de mar. de 2013.

 

Maria Helena de Toledo Silveira Melo.

Dezembro de 2021.

 

 



segunda-feira, 8 de março de 2021

Mulheres Poderosas.

 

Mulheres poderosas na vanguarda dos tempos.


Há no Brasil e no mundo, milhares de personalidades femininas que devem ser lembradas e homenageadas pelo exemplo deixado por suas conquistas através dos tempos, em diversos segmentos da sociedade.

Para todas elas, nossas Honras e nosso respeito pela herança deixada.

Hoje vou falar um pouco sobre duas delas, amigas, paulistas e são reconhecidas por suas lutas social, histórica e política por São Paulo e pelo Brasil.

Duas mulheres, uma do interior paulista, outra paulistana, com 20 anos de diferença de idade, de níveis sociais distintos, encontram-se em algum momento de suas vidas tornando-se amigas intimas e seguem juntas, com objetivos e sonhos semelhantes, realizam objetivos individuais e comuns, deixando para os brasileiros o exemplo de suas lutas vitoriosas. Em um século em que as mulheres eram relegadas a simples mãe e dona de casa, essas duas mulheres se sobressaem e mostram que são tão capacitadas quanto os homens e que com coragem e perseverança todos os seus desígnios podem ser realizados.




Dra. Carlota Queiroz e Olivia Guedes Penteado em viagem pela Itália, 1926.




Olivia Guedes Penteado em viagem pelo Egito.




Banquete realizado por Olivia Guedes Penteado para o
 lançamento de candidatura de Dra. Carlota Queiroz




Dra. Carlota na Assembleia.


A seguir um pequeno histórico destas duas heroínas:

 

 

Dra. Carlota Queiroz.

Carlota Pereira de Queirós nasceu em 13 de fevereiro de 1892, na cidade de São Paulo. Era filha de José Pereira de Queiroz e de Maria Vicentina de Azevedo Pereira de Queiroz. Faleceu em São Paulo em 14 de abril de 1982. Formou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em 1926, com a tese Estudos sobre o Câncer. Interna da terceira cadeira de Clínica Médica da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e chefe do Laboratório de Clínica Pediátrica (1928), foi assistente do professor Pinheiro Cintra. Foi comissionada pelo governo de São Paulo, em 1929, para estudar Dietética Infantil em centros médicos da Europa. Membro da Associação Paulista de Medicina de São Paulo, "Association Française pour l'Étude du Cancer", Academia Nacional de Medicina e Academia Nacional de Medicina de Buenos Aires. Fundou a Academia Brasileira de Mulheres Médicas, em 1950.

Ingressando na política, foi a primeira deputada federal da história do Brasil. Eleita pelo estado de São Paulo em 1934, fez a voz feminina ser ouvida no Congresso Nacional.

Seu mandato foi em defesa da mulher e das crianças, trabalhava por melhorias educacionais que contemplassem melhor tratamento das mulheres. Além disso, publicou uma série de trabalhos em defesa da mulher brasileira. Ocupou seu cargo até o Golpe de 1937, quando Getúlio Vargas fechou o Congresso.

Foi escritora e historiadora, com as publicações Um Fazendeiro Paulista no século XIX e Vida e Morte de um Capitão.

Na Revolução Constitucionalista de 1932, ocorrida em São Paulo, organizou e liderou um grupo de 700 mulheres para garantir a assistência aos feridos. Assim, teve valiosa participação, lutando pelos ideais democráticos defendidos por São Paulo.

 




Sra. Olivia Guedes Penteado.

Olivia Guedes Penteado nasceu em Campinas, 12 de março de 1872   era filha de José Guedes de Sousa e de Carolina Álvares Guedes, os barões de Pirapitingui, proprietários fundadores da Fazenda da Barra em Jaguariúna. Casou-se com seu primo-irmão Inácio Leite Penteado, filho de sua tia materna Maria Higina, que, por seu segundo casamento, foi baronesa de Ibitinga, e do Dr. João Carlos Leite Penteado, descendente de João Correia Penteado *1666 +1739 e Isabel Pais de Barros *1673 +1753. O casal teve duas filhas, Carolina Penteado da Silva Teles, casada com Gofredo Teixeira da Silva Teles e Maria Guedes Penteado de Camargo, casada com Clóvis Martins de Camargo. Faleceu de apendicite em 9 de junho de 1934, após um mês de penoso sofrimento. Foi assistida por sua amiga, Carlota Pereira de Queiroz, e por Aluysio de Castro, médico vindo especialmente do Rio de Janeiro, foi sepultada no Cemitério da Consolação,

Foi uma grande incentivadora do modernismo no Brasil e amiga de artistas-chave do movimento, como Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Heitor Villa-Lobos. Olívia conheceu os amigos modernistas em Paris, onde morava, e trouxe para o Brasil pela primeira vez exemplares da obra de Pablo Picasso e Marie Laurencin, entre outros. Olívia Penteado criou o Salão de Arte Moderna, a partir de 1923, quando voltou a morar no país.

Lutou tenazmente pelo voto feminino, graças a sua articulação e à de Pérola Byington, conseguindo eleger a primeira mulher para uma constituinte, a Dra. Carlota Pereira de Queiroz.  

Olívia ingressou no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo no dia 6 de maio de 1932, poucos dias antes de eclodir a Revolução Constitucionalista, tendo sido a décima mulher a tomar posse nessa entidade: “o Sr. Presidente acentuou o brilho e imponência daquela noite, por motivo da posse de três ilustres representantes da intelectualidade feminina paulista – Olívia Guedes Penteado, Ana de Queiroz Teles Tibiriçá e Maria Xavier da Silveira”.

Participou ativamente da Revolução Constitucionalista de 1932. Preocupada com as condições das viúvas e órfãos de voluntários, D. Olívia trabalhou intensamente durante a Revolução de 1932, acompanhada por Carlota Pereira de Queiroz

Prefeito de São Paulo durante esse período, Godofredo da Silva Telles, seu genro, assim se referiu à atuação de Dona Olívia no período da Revolução Constitucionalista:

Durante o movimento constitucionalista de 1932, a sua esclarecida vontade e a imperturbável serenidade de ânimo que era o traço mais forte de sua personalidade, desempenharam importante papel: ela colaborou ativamente no trabalho de todas as senhoras paulistas em prol da causa que São Paulo defendia. Não poupou esforços nem sacrifícios. Tomou parte em todas as iniciativas femininas tendentes a minorar o sofrimento dos que combatiam, socorrendo as famílias que aqui haviam ficado e animando com sua confiança aos combatentes que embarcavam para a frente de combate.

 

Em sua juventude Olivia passou muito tempo em idas e vindas entre Campinas e a Fazenda da Barra em Jaguariúna.

Encontra-se colaboração da sua autoria na revista Contemporânea.

 

 

 

 

A amizade entre Carlota e Olivia também tem uma ligação que se deve, ao que tudo indica, a uma velha amizade de família entre os Pereira de Queiroz e os Guedes, família materna de D. Olivia. Os pais Zezinho e Mariquita eram particularmente amigos de Dona Zitta (Carolina Guedes Galvão), irmã de Dona Olivia, e de seu marido Luizinho (Luiz Antonio Correia Galvão). Além disso, Georgina Galvão, uma das filhas do casal, portanto sobrinha de D. Olivia, casa-se com um primo-irmão de Carlota pelo lado materno, o médico Antonio Candido Vicente de Azevedo, filho de um irmão de D. Mariquita, o Conde José Vicente de Azevedo. O que acrescenta relações de parentesco bastante próximas à amizade entre as duas famílias, e entre as duas mulheres. Há uma amizade forte e recíproca entre elas, a simpatia mútua que liga as duas amigas explica então, ao lado da curiosidade e do gosto pelas viagens, juntas viajaram por vários países. E tal simpatia afirmar-se-á ainda mais após o regresso a São Paulo. De fato, nos anos trinta, a convivência e a identificação entre as amigas terão outras tantas ocasiões de se expressar, como na luta pelo voto feminino, no auxílio em vários setores da Revolução Constitucionalista de 1932 e na campanha para eleição de Carlota.

 


 

Dra. Carlota Queiroz e sua participação na Revolução de 1932.




Sra. Olivia Guedes Penteado em seu Salão em São Paulo.



 Olivia Guedes Penteado, Blaiser, Cendrars e Tarsila do Amaral


CURIOSIDADE.

A Caipirinha, o auto retrato cubista pintado por Tarsila do Amaral em 1923 cujo o título faz referência à sua origem no interior paulista foi vendida por um valor recorde de R$57,5 milhões em dezembro de 2020.

Esta obra, melhor quadro de Tarsila na época, foi doada à sua amiga Olivia Guedes Penteado, a grande patrona dos modernistas nos anos 1920, para que abrilhantasse seu salão de arte em São Paulo. O quadro ficou com a família por três gerações.

 

A Caipirinha - Tarsila do Amaral

Fonte.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Carlota_Pereira_de_Queir%C3%B3s

https://culturageralsaibamais.wordpress.com/2011/02/06/olivia-guedes-penteado-e-a-revolucao-de-32/, acesso em 06 de mar. de 2013.

https://trincheirasdejaguariuna.blogspot.com/search?q=olivia+guedes+penteado

https://braziljournal.com/breaking

http://cral.in2p3.fr/artelogie

 

 

Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo, 2021.

sábado, 25 de março de 2017

Mulheres de 32 – II.


Olívia Guedes Penteado.

Adaptação do texto de Nelly Martins Ferreira Candeias *






“O que me extasiava era a sua disposição,
a sua coragem, a sua alegria,
sua simplicidade de alma,
seu amor pelo próximo, sua fé no Brasil.”
Prof. Goffredo da Silva Telles Jr.



A história oficial sempre relegou a participação da mulher na vida política e social do Brasil, enquanto que a historiografia atual procura resgatar sua presença nos acontecimentos histórico-sociais.
D. Olívia Guedes Penteado nasceu em Campinas, no Largo da Matriz Velha, em 12 de março de 1872. Era filha dos Barões de Pirapitingüy, Tenente – Coronel José Guedes de Souza, poderoso fazendeiro de café no Município de Mogi-Mirim, e de Dona Carolina Leopoldina de Almeida e Souza. Genuinamente paulista, sua descendência teve origem em Fernão Dias Pais Leme por sucessão direta. A família liga-se também a Amador Bueno, a Tibiriçá, o grande cacique de Piratininga, e a João Ramalho. Dona Olívia passou a infância na propriedade paterna, na Fazenda da Barra, em Vila Jaguary que pertencia à Mogi-Mirim, tendo estudado em casa com professores particulares e, durante algum tempo, no Colégio Bojanas. Posteriormente, a família transferiu-se para São Paulo, tornando-se o Barão de Pirapitingüy grande proprietário e capitalista. Aos dezesseis anos casou-se com seu primo, Ignácio Penteado, do ramo dos Penteados de Campinas, que acabara de regressar da Europa, onde permanecera por vários anos em viagens de lazer e estudo.
Por ocasião da revolução de 1924 ela chegou a abrigar em sua residência o poeta vanguardista suíço-francês Blaide Cendras das bombas que caíam na região.
A jovem lutou pelo voto feminino e ajudou a eleger a primeira mulher para uma constituinte.
Dona Olívia ingressou no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo no dia 6 de maio de 1932, poucos dias antes de eclodir a Revolução Constitucionalista, tendo sido a décima mulher a tomar posse nessa entidade: “o Sr. Presidente acentuou o brilho e imponência daquela noite, por motivo da posse de três ilustres representantes da intelectualidade feminina paulista – Olívia Guedes Penteado, Ana de Queiroz Teles Tibiriçá e Maria Xavier da Silveira”.

Dona Olívia em 1932

Preocupada com as condições das viúvas e órfãos de voluntários, D. Olívia trabalhou intensamente durante a Revolução de 1932, acompanhada por Carlota Pereira de Queiroz, que, graças a sua articulação e à de Pérola Byington, viria a ser a primeira deputada federal no Brasil. Prefeito de São Paulo durante esse período, Godofredo da Silva Telles, seu genro, assim se referiu à atuação de Dona Olívia no período da Revolução Constitucionalista.

“Durante o movimento constitucionalista de 1932, a sua esclarecida vontade e a imperturbável serenidade de ânimo que era o traço mais forte de sua personalidade, desempenharam importante papel: ela colaborou ativamente no trabalho de todas as senhoras paulistas em prol da causa que São Paulo defendia. Não poupou esforços nem sacrifícios. Tomou parte em todas as iniciativas femininas tendentes a minorar o sofrimento dos que combatiam, socorrendo as famílias que aqui haviam ficado e animando com sua confiança aos combatentes que embarcavam para a frente de combate. Mais tarde, findo o movimento, quando todos os paulistas se uniram pelo bem de São Paulo, para sufragar nas urnas aqueles que deviam ser os portadores de seu pensamento e da sua vontade na Assembléia Constituinte, ela continuava, com a mesma serenidade, no seu novo posto de animadora cívica, trabalhando nas primeira linhas de Chapa Única. Mas a energia batalhadora do seu coração não ultrapassou a luta. Saiu dela sem ressentimentos nem ódio. Voltou a ser aquela que tinha sido a vida inteira, sorridente e acolhedora, esquecida dos adversários da época”.

Diz seu neto, Goffredo da Silva Telles Jr.:

“Aqui lembrarei apenas que os ideais aparentes do movimento empolgaram a população – e que Olívia Penteado se empenhou em servi-los, de corpo e alma. Durante todo o tempo da luta, que foi um tempo heróico, de sacrifícios e de privações, ela assumiu o cargo de Diretora do Departamento de Assistência Civil. Sem qualquer hesitação, doou jóias valiosas, na ‘Campanha de Ouro para o Brasil’, destinada a reforçar os fundos necessários à manutenção das frentes de combate. Depois, no ano seguinte, nas eleições gerais de 1933, minha avó lançou e apadrinhou a candidatura de Carlota Pereira de Queiroz, médica, à Assembléia Nacional Constituinte e ao Congresso Nacional. Doutora Carlota foi a primeira mulher a ser deputada federal no Brasil “.

Para que não se esqueça, parece-nos interessante reproduzir, aqui, parte da bela oração proferida por D. Olívia Guedes Penteado durante a Revolução Constitucionalista:

Às Mulheres Brasileiras

 “(…) Não há terra como o nosso Brasil. Nós paulistas o sabemos. E, portanto, quando tomamos armas contra os opressores de nossa terra, sabemos e sentimos que não estamos dando combate a nossa pátria. Longe de nós ter qualquer rancor contra os nossos irmãos dos outros Estados. A luta que travamos é contra a opressão, contra o erro, contra o crime. (…) Quem se bate pelo regime da justiça, da liberdade e do direito, será sempre apontado na história da nossa terra, como o defensor da verdadeira, da suprema causa da nacionalidade. Esta causa – vós já sabeis – é a causa da Lei. Temos a certeza de que nossos filhos, que ora seguem frementes de entusiasmo sagrado, poderão em breve, ó brasileiras de todos os estados, abraçar os vossos filhos, que, também constitucionalistas, os esperam com a mesma vibração, a fim de que, juntos, irmãos e brasileiros, possam gritar a quarenta milhões de brasileiros – Tendes agora a Lei! Viva o Brasil!”

A morte de Dona Olívia

Dona Olívia faleceu no dia 9 de junho de 1934, vítima de apendicite, após um mês de penoso sofrimento. Foi assistida por sua amiga, Carlota Pereira de Queiroz, e por Aluysio de Castro, médico vindo especialmente do Rio de Janeiro para acompanhá-la, e que assim se expressou a respeito daquelas horas amargas:

“Há sempre no fim de uma grande vida um grande exemplo. Os que assistiram a Dona Olívia Penteado nas suas derradeiras horas, puderam contemplar, na fortaleza e na candura do seu ânimo, alguma coisa grandiosa, como quando a graça divina se reverbera na expressão humana”.

Seu esquife foi carregado em mãos dos acompanhantes, que o levaram pelas ruas de São Paulo. “Constitui uma tocante e expressiva consagração a homenagem que S. Paulo prestou, na tarde de anteontem, à memória de D. Olívia Guedes Penteado, por ocasião de seu sepultamento” (O Estado de São Paulo, 12 de junho de 1934, Falecimentos).

Recorda Goffredo da Silva Telles Jr:

“Havia uma silenciosa multidão na nossa rua, diante de nossa casa. Quando saímos com o caixão e o entregamos aos bombeiros, para que eles o colocassem lá em cima, no carro, sentimos um movimento do povo, uma aproximação compacta de gente, em torno de nós. (…) E então vimos o total inesperado. O povo silenciosamente se assenhorou do esquife embandeirado. Homens desconhecidos, segurando as alças do féretro, puseram-se a caminho. E o levaram, na força de seus braços, pelas ruas de São Paulo, até a sepultura distante, no Cemitério da Consolação. A multidão anônima seguiu atrás. E dispersou ao fim do enterro. Que povo era aquele? Eu não sei; ninguém sabe, nem saberá jamais”.

Foi sepultada no Cemitério da Consolação, na Rua 35, túmulo 1, ao lado de seu marido. O túmulo é encimado por uma escultura de Brecheret, “A descida da Cruz”, obra adquirida por ela em Paris, no Salão do Outono, em 1923. Logo após a sua morte, Guilherme de Almeida, na Seção que mantinha em O Estado de São Paulo, fez-lhe uma bela e sentida homenagem:

“(…) Dona Olívia era o poema da vida. A idéia da vida, o ritmo da vida e a beleza da vida entrelaçavam-se, nela, tão essencialmente bem, que ela impunha a vida, como um poema impõe a verdade que defende, por menos verdadeira que seja essa verdade. (…) Ella apenas encontrou, no seu aparente desaparecimento, uma nova forma de viver…”

Guy

Assim a relembrou Maria de Lourdes Teixeira:

“Essa figura nobilíssima de mulher, bela, fidalga e ultracivilizada, ficará em nossa história literária e artística como uma das inteligências precursoras que emergiram da sociedade “ancien régime” para a compreensão de um Brasil novo construído por uma mentalidade nova”.

Dona Olívia foi uma mulher excepcional, cujo talento e brilhante atuação se refletem em vários momentos da história da atuação cívica e cultural no Brasil. Seu estilo de vida, provocando encontros e desencontros, abriu um espaço verdadeiramente comum aos homens e às mulheres de seu tempo, fazendo com que a igualdade dos direitos humanos e das oportunidades, pelas quais lutava discretamente, passassem a eliminar a diferença das identidades que retardavam a emancipação feminina. Jamais será esquecida porque lutou contra os preconceitos do seu tempo.

Foi uma Mulher Paulista!


*Nelly Martins Ferreira Candeias é professora aposentada da Faculdade de Saúde Pública e Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo.



Família Guedes, da esquerda para a direita: José, Alfredo, Baronesa e Barão de Pirapitinguy,
 tendo em seu colo Altimira, sentada no banco Carolina, em pé apoiada Olívia e Mário





Seus irmãos: Albertina Guedes Nogueira, Carolina, Olívia, Altimira e José Guedes.





Olívia Guedes Penteado.





Túmulo de Olívia e seu marido encimado por escultura de Brecheret, "A Descida da Cruz".




Fonte.

Disponível em:





Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.
25/03/2017.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Mulheres na Revolução de 1932.





No dia Internacional da Mulher faço uma pequena homenagem às mulheres guerreiras que participaram da Revolução de 1932, nas frentes de batalhas, nos hospitais, nas oficinas de costuras e de confecção de capacetes, na organização e distribuição de alimentos, vestimentas e outros apetrechos, enfim à todas as mulheres que de alguma maneira prestaram qualquer serviço em prol da Revolução ou para os Soldados Constitucionalistas e à população em geral.

Uma das características mais marcantes da Revolução Constitucionalista de 1932 foi a participação feminina. A colaboração das mulheres paulistas foi inestimável e honraram a tradição.




Na fotografia da esquerda para a direita – Sra Lena Burchard Reverdo, Sra Lú Burchard Reverdo, Sra. Olivia Guedes Penteado, Sra. Carlota Pereira de Queiroz, Sra. Maria Penteado Camargo, filha da Sra. Olivia Guedes e mais duas senhoras que não foram identificadas.
Senhoras que faziam parte da diretoria do Departamento de Assistência aos Feridos, durante a Revolução de 1932.



                                 Mulheres na oficina de costura.





Mulheres, nas ruas de São Paulo, recolhendo doações para a Campanha Ouro para o Bem de São Paulo, na Revolução de 1932.




Algumas mulheres que se destacaram do interior paulista.


Araraquara.



                                                                                      Fotografia de Hamilton Mendes


Em Araraquara as mulheres também participaram ativamente, elas ocuparam as dependências das escolas da cidade e ali remendavam meias, calças e blusas e monitoravam a arrecadação de alimentos.
Um destaque entre estas mulheres de Araraquara foi a Sra. May Souza Neves, ele foi para São Paulo, onde prestou serviço hospitalar para a Assistência ao Soldado Constitucionalista. A Sra. May não era formada em enfermagem, mas tinha experiência pois trabalhava como auxiliar no consultório de seu marido.



Itapetininga.

                                                                                       foto da  fam. Alves Rolim
            As 6 irmãs enfermeiras e uma criança em 1932.




Em Itapetininga as mulheres também deram todo o apoio aos combatentes

Destaque para as seis irmãs enfermeiras voluntárias da família Fabiano Alves de Itapetininga.




Piracicaba.




De Piracicaba a Professora Mathilde Brasiliense, também teve participação heróica na Revolução de 1932, prestou serviço como enfermeira, nas cidades de Cruzeiro e Guaratinguetá.




Fonte.
http://voluntariosdepiracicaba.blogspot.com.br
estadão.br.msn.com
cral.in2p.fr
homemculto.com
www.klickeducacao.com.br







                                   Parabéns!





Editado e postado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.


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