domingo, 7 de julho de 2024

92º ANIVERSÁRIO DA REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932.

 

Lembrar, lembrar, sempre lembrar!!!!

 

São Paulo pelo Brasil 


9 de julho de 2024, no 92º aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932, dia de enaltecer, honrar aqueles Heróis que lutaram pela liberdade, pela democracia e pela Constituição. Jamais esquecer o legado daqueles que se levantaram para aniquilar com os tempos sombrios que vivia a Nação.

Sempre lembrar que, São Paulo foi o Estado que liderando o movimento pela liberdade do Brasil, nunca se subjugou aos desmandos do Governo Federal sempre reivindicando maior liberdade política e eleições democráticas.

Para honrar os Heróis de 32 e não deixar no esquecimento os valores cívicos e morais que nortearam a Revolução Constitucionalista de 1932, faço a transcrição do editorial, da revista Mundo Ilustrado, de 16 de julho de 1932 onde o editor fez suas considerações sobre alguns fatos e feitos relevantes durante o movimento de 1932:

 

A BANDEIRA NACIONAL FOI SÍMBOLO DA REVOLUÇÃO LIBERTÁRIA DE 32.

 

 

O 9 de Julho, data da Revolução Constitucionalista de 1932, é uma página gloriosa da História do Brasil. Levantando-se contra a ditadura, São Paulo despertou a consciência nacional, obrigando aos que se impunham pela força a desenvolverem ao povo o seu direito de ser livre manifestação, através de seus representantes legítimos, no Congresso, principalmente. A luta dos paulistas, à qual se juntaram outros brasileiros, não foi em vão, nem a sua derrota no plano militar significou o esmagamento dos ideais que sustentavam. A semente da Revolução de 32 germinou, em direção a uma maior unidade nacional, dentro de preceitos democráticos. Com o seu movimento revolucionário, os paulistas não alimentavam nenhuma intenção separatista, como difundiam os agentes da ditadura. Todo o movimento constitucionalista processou-se em torno do Pavilhão Nacional. As proclamações, os boletins, todos os impressos relativos ao movimento continham palavras de patriotismo eloquente. São Paulo saiu à luta por um Brasil melhor. São Paulo saiu à luta contra a opressão e o livre arbítrio. Foi na sede do jornal “O Estado de São Paulo”, hoje um dos maiores jornais do continente, que se realizaram as primeiras reuniões, culminando com a entrega da chefia do movimento ao General Izidoro Dias Lopes. Para auxiliares diretos do General foram escolhidos Júlio de Mesquita Filho e Coronel Salgado, da Força Pública do Estado. Foi Júlio Mesquita Filho quem conseguiu reaver, através de processo judicial, os prejuízos que a ditadura do Sr. Getúlio Vargas deu aos proprietários do “O Estado de São Paulo”, confiscado durante algum tempo. O Coronel Salgado já está morto. No plano militar, São Paulo realizou proeza notável, lutando com corpos de tropas e armamentos improvisados durante três meses. Esse feito foi considerado extraordinário não apenas no plano nacional, como também no internacional. Com um exército de bravas mulheres compondo uma retaguarda de trabalho e dedicação, os paulistas saíram para as suas frentes de luta, de Mogi a Cruzeiro, no Túnel, em Silveiras, com armamentos muitos deles fabricados em arsenais improvisados, no próprio Estado. Para o Movimento Constitucionalista de 32, São Paulo fabricou lança-chamas, metralhadoras antiaéreas e até tanques. Em muitos momentos, pela falta absoluta de armas, mas vontade indomável de lutar, foi necessário a aplicação de truques. Em algumas frentes, chaminés velhas camufladas davam aos legalistas a impressão de canhões prontos para atirar. Estourando “bananas” de dinamite, os paulistas procuravam transmitir ao inimigo a idéia de uma artilharia bem municiada. Com esse truque, conseguiam que aviões do governo desperdiçassem suas bombas em cima dos falsos canhões. Ao lado de São Paulo e em favor da liberdade, lutou um gaúcho remanescente de Canudos. É Antonio Paiva Sampaio, conhecido como o herói do Túnel da Mantiqueira, a frente mais importante da Revolução e local onde os paulistas resistiram mais bravamente. Foi um tiro de canhão, disparado nessa frente por um grupo comandado pelo então Major Ary da Rocha Nóbrega, que salvou a Revolução, prolongando-a por mais tempo e dando aos revolucionários mais força na conquista de suas reivindicações. O tiro caiu em cheio num parque de artilharia do governo. No Túnel, onde lutou Paiva Sampaio, de um lado estava o hoje Marechal Dutra, comandando cerca de sete mil homens das tropas legalistas; do outro, os dois mil e quinhentos paulistas que lutaram bravamente sob a verdadeira chuva de granadas e de balas de metralhadoras. Severo Founier, Saldanha da Gama e João Batista Prado, gravemente ferido, quase morrendo, ainda teve forças para dizer: - “São Paulo merece muito mais”. Como toda epopéia, o 9 de Julho também teve seu epilogo: em um dia de novembro de 1932, os seus líderes eram embarcados a bordo do “Pedro I”, navio pertencente à frota do Lóide Brasileiro, com destino à Lisboa, rumo ao exílio.

 

 










Folheto comemorativo - coleção pessoal.




Fonte.

Revista O Mundo Ilustrado, Nº 75. 7 de julho de 1954. (Coleção pessoal).

Imagens de jornais e revistas coleção pessoal.

 

Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.


sexta-feira, 24 de maio de 2024

23 DE MAIO – DIA DA JUVENTUDE CONSTITUCIONALISTA.

 


 Honras e glória aos jovens e participantes da manifestação popular, realizada no dia 23 de maio de 1932, em defesa dos seus direitos e liberdades.

 


23 de Maio.

 

À tarde de 23 de maio, data que se eternizaria na história paulista, a cidade regurgitou novamente. Homens e mulheres, famílias inteiras acotovelavam-se nas ruas centrais, enquanto outras replenavam as sacadas dos prédios convizinhos. Aqui e ali, discursos em improvisados comícios. Eram bandeiras que se desfraldavam, eram clamores uníssonos; eram aclamações ruidosas. Tudo sem rumo, sem organização, sem destino. Até que, a tantas, a multidão se deslocou pelo Viaduto do Chá. Mas ela era muita – e ainda muito mais gente veio replenar a Praça do Patriarca. Falou-se em oitenta, cem mil pessoas...

O certo é que daí a pouco, já todos sabiam que o povo se destinava ao Palácio dos Campos Elísios, onde ocorriam as negociações: Morato, em nome da Frente Única, apresentava a Pedro de Toledo a lista dos novos secretários. De passagem pela rua Conselheiro Crispiniano, novas manifestações de confraternização verificavam-se em frente ao Quartel General do Exército. E o cortejo prosseguiu até a residência que fora de Elias Chaves. Os portões estavam fechados. Quando soube do que se passava, Pedro de Toledo determinou que se franqueasse ao povo a entrada nos jardins circundantes da casa do governo.

O povo mandava dizer ao Interventor que desejava saber em que pé estavam as negociações. Altino Arantes, entre aclamações, informava que, dentro de alguns instantes, seria anunciado o novo secretariado. Carregado por admiradores, chega Ibrahim Nobre, cuja ausência dera lugar à suspeita de ciladas.

Assim, já os relógios marcavam 19 horas quando Morato assomou à sacada para anunciar a composição do novo secretariado: Waldemar Ferreira, para a pasta da Justiça; Rodrigues Alves Sobrinho, Educação e Saúde; Fonseca Teles, Viação; Francisco Junqueira, Agricultura; Armando de Salles Oliveira, Fazenda; Joaquim Sampaio Vidal, Departamento das Municipalidades; Godofredo da Silva Telles, Prefeitura da Capital.

Aplausos e aclamações quase impediam que se ouvissem os nomes proclamados. Mas o povo vibrava e reclamava posse imediata aos novos secretários. Ninguém mais podia confiar nas autoridades federais, pois, a qualquer momento, poderiam urdir ciladas ou promover violências. Ademais, cumpria assegurar a vitória. Pedro de Toledo acede, contanto que o primeiro empossado fosse, como era norma, o secretário da Justiça. Afinal, presente o secretário Silva Gordo, a quem caberia transmitir o cargo, resolveu-se que o ato se realizaria na sede da secretaria da Justiça, no largo hoje chamado de Pátio do Colégio. A comunicação ao povo foi feita por Morato que termina com estas palavras: - O Estado de São Paulo reafirma na data redentora de hoje o gênio e ânimo invicto dos filhos de Piratininga. E convidou os presentes para a solenidade.

 

Na cidade, em polvorosa.

À hora marcada já a multidão se deslocara do Campos Elísios para a cidade e desbordava dos arredores da secretaria, para as ruas adjacentes, com entusiasmo cada vez maior. Havia certa demora na realização da posse: é que o novo e o antigo secretários não estavam presentes ainda. Quando Waldemar Ferreira apontou, o povo abriu-lhe alas para que ele caminhasse avante, com dificuldade, é certo, mas sobranceiro e risonho, agradecendo comovido as manifestações que recebia.

Lá dentro, Silva Gordo assinava os decretos de reforma do General Miguel Costa e do Coronel Juvenal de Campos Castro. E ainda se delongava a cerimônia, porque Silva Gordo não sabia como se apresentar. E, ao que se refere uma testemunha, ele caminhou até a sala da solenidade aos empurrões e apupos, “como nenhum homem público ou privado jamais fora desprestigiado na praça pública”. Silva Gordo conteve-se, tendo dito palavras altas a Waldemar Ferreira, cuja resposta mal se pode ouvir, tal o alarido das aclamações de vitória. A seu antecessor chamou-o honrado e operoso.

Após o ato oficial, surgiu o problema da defesa da pessoa do ex-secretário. Organizou-se uma escolta de alto nível que o conduziu por entre o povo até um prédio próximo, onde o abrigaram até mais tarde, quando, julgado serenada a ira popular, foram busca-lo para conduzi-lo a sua residência, onde chegou com alguns arranhões. Nesta última diligência, foi preciso que Ibrahim Nobre enfrentasse e bradasse em tom imperioso a um magote que pretendeu arrebatar-lhe o prisioneiro.

A Força Pública estava de prontidão, podendo dar-se a qualquer hora um choque fatal com o grupo miguelista. O primeiro ato de Waldemar Ferreira foi nomear o Tenente Júlio Marcondes Salgado comandante interino da milícia. Dois dias depois, era efetivado no comando da Força.

A posse do novo comandante da milícia estadual encontrou certa resistência. O Coronel Herculano de Carvalho pretendia que Miguel Costa assumisse o cargo. O Coronel Joviniano Brandão pretendeu também o comando. A presença de Waldemar Ferreira, calmo e seguro, desfez o equívoco: Marcondes Salgado foi empossado e os oficiais conjurados voltaram à tropa.

Mas o novo secretário ainda não podia saber que o Major Cordeiro de Farias, ainda chefe de polícia, retirara o policiamento das ruas, limitando-se à defesa de seus correligionários ameaçados...A cidade estava entregue aos manifestantes, cuja ação poderia ultrapassar limites de prudência. A ação de vários próceres impediu que os mais exaltados cometessem desatinos.  Não obstante, a massa popular permanecia nas ruas centrais, ameaçadora e violenta. Cerca de 23 horas, não houve conte-los: empastelaram a redação dos jornais A Razão e Correio da Tarde, ateando fogueiras com papeis e móveis e outros materiais jogados pelas janelas.

Logo mais, outro grupo numeroso atravessa o Viaduto do Chá, rumo à Praça da República, para onde deita janelas o prédio nº 70 da Rua Barão de Itapetininga. Era a sede da Legião Revolucionária, havia pouco rotulada de Partido Popular Paulista, “considerado a máquina extremista opressora de São Paulo”. Em chegando até lá a massa do povo, pois o grupo se fora acrescendo no percurso, ouviram-se tiros. O povo não recuou: improvisou barricadas, fazendo parar para esse fim um bonde da Light. Um grupo partiu célere em busca de recursos, assaltando casas de armas no Largo de São Bento, nas ruas Libero Badaró e Boa Vista. Armados e municiados, os moços atiravam contra os adversários. Havia feridos nas calçadas, enquanto crescia o número dos atacantes. Explodiam granadas de mão, mais ruidosas que os tiros. Apagavam-se todas as luzes. Surgiam escadas. O estudante Mario Martins de Almeida subiu por uma delas e já ia alcançando o andar onde se alojavam os adversários, quando, atingido em cheio, caiu e se estatelou na calçada, morto. Outros tombavam – e os estudantes de medicina os socorriam. Um segundo grupo, munido de latas e garrafas de gasolina, procurava incendiar o reduto que resistia. Bombeiros e policiais compareceram, mas foram dispensados. A fuzilaria prosseguia. Os legionários dispunham de fuzis e metralhadoras da Força Pública e se encontravam em posição vantajosa.

O Tenente-Coronel Salgado entrou logo em ação, mandando uma força policial para o local, o mesmo fazendo a II Região Militar. Estabeleceu-se o cerco da quadra. Ao amanhecer do dia 24, os legionários se rendera ao 4º B.C., porque “mais de onze famílias se encontravam nos andares superiores do prédio ameaçado de incêndio pelos atacantes” ...

O tiroteio prosseguia ainda na Praça da República quando, das 3 às 5 horas da madrugada, Waldemar Ferreira, chamado com urgência, conferenciava com Oswaldo Aranha no Quartel General da II Região Militar.

O dia 24 de maio foi um dia triste. Depois daquela noite trágica, quem teria ânimo para o que quer que fosse? Os jornais tardaram a circular. E traziam apelos de paz e concórdia. O Coronel Ávila Lins, comandante interino da II Região Militar, pedia calma ao povo. A Associação Comercial dava por concluído o protesto da classe, que fechara seus estabelecimentos. Pelo meio dia, tomaram posse as novas autoridades. Armando de Salles Oliveira não aceitara a secretaria da Fazenda, porque presidia à Empresa S.A. Estado de São Paulo.

Em toda parte, luto e dor. Já se contavam três mortes: Martins, Miragaia, Camargo, todos de 21 anos. O primeiro, Mario Martins de Almeida estudante de Direito; o segundo, Antonio Américo de Camargo Andrade, casado, com três filhos menores; e Euclides Miragaia, estudante em São José dos Campos, onde foi sepultado à tarde, em meio de pungentes demonstrações de pesar da população toda da cidade. Em São Paulo, o sepultamento de Mario Martins de Almeida, realizado à tarde, na Consolação, constituiu nova demonstração do estado de espírito popular. Milhares de pessoas de todas as classes sociais acompanharam o féretro conduzido a mão por entre alas respeitosas e silenciosas. À passagem pelo lugar em que Mario Martins tombou, os soldados que montavam guarda ao prédio do P.P.P., prestaram a devida continência à bandeira nacional. Do portão à capela do cemitério, alas de senhoras, senhoritas e populares jogavam flores sobre a urna funerária. Ibrahim Nobre, estudantes proferiu o discurso de despedida.

Os hospitais da cidade receberam dezenas de feridos, a bala, identificados como trabalhadores das mais diferentes categorias: um advogado, um copeiro, um açougueiro, estudantes, comerciários, industriários das mais diversas especializações, o que é uma amostra da universalidade dos anseios populares de defesa dos brios de São Paulo. Até então, eram três os mortos. Dentre os recolhidos com vida, porém, mais dois sucumbiriam: Dráusio Marcondes de Souza, a 28 de maio, e, dias depois Amadeu Martins, elevando-se a cinco o número que tombaram heroicamente.

 

 O texto acima é a transcrição de texto de Paulo Nogueira Filho e Pedro Ferraz do Amaral, publicado na Revista da Academia Paulista de Letras. Edição Assinaladora do Septuagésimo Aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932. Julho de 2002.

Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.

 

 

 


sábado, 11 de maio de 2024

Homenagem às Mães!!!

 

 A iniciativa da comemoração do Dia das Mães, no Brasil, coube à Associação Cristã de Moços do Rio Grande do Sul (ACM-RS). A data foi trazida ao Brasil pelo então Secretário-geral da instituição, Frank Long. A primeira celebração no país ocorreu em 12 de maio de 1918, em Porto Alegre. Aos poucos, a festividade foi se espalhando pelo país e, em 1932, o então presidente Getúlio Vargas, a pedido das feministas da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, oficializou a data no segundo domingo de maio. A iniciativa fazia parte da estratégia das feministas de valorizar a importância das mulheres na sociedade, animadas com as perspectivas que se abriram a partir da conquista do direito de votar, em fevereiro do mesmo ano. Em 1947, Dom Jaime de Barros Câmara, Cardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro, determinou que essa data fizesse parte também no calendário oficial da Igreja Católica.




Em 1932, durante a Revolução Constitucionalista de 1932, Dª. Isabel Paes de Barros exclamava com energia para seus filhos: - Ide! Ide para as trincheiras. Paulistas são, não se concebem no momento, fora do seu lugar de honra, e esse lugar é a trincheira.  Não me apareçais em casa senão fardados e prontos para partir, convictos da dupla obrigação de: lutar por vós e por mim.

 

Mães! Que não recebestes sequer um abraço do que partiu! Nem sabeis para onde foi! Não importa! Não choreis! Foi para a Pátria que o educastes e ele está onde a Pátria o chamou!

[...]

E vós todas, sedes valorosas. Sede fortes como foi a mulher paulista de outras eras.

Dizei com ela: Ou serás vencedor ou não voltarás!

 

E ainda na mesma reunião: - Senhoras! Levai a vossa voz, que é a nossa, a todo o coração de mãe que pulsa e vibra neste grande Brasil, para que sinta a grandeza do movimento que nos empolga. Que cada mãe brasileira mande seu filho lutar não contra nós, mas por nós, que é pelo Brasil que lutamos.

Nada mais belo no mundo do que o amor desinteressado. O motivo mais justo e que maior força deve fazer no coração do homem bem formado, para amar a Deus, é ter-nos, Esse Senhor Infinito, criado sem interesse algum seu. Não necessitava de nós para nada; era infinitamente feliz e perfeito na sua Essência Sempiterna. Se nos criou foi única e exclusivamente por amor, para nos fazer felizes criando-nos à sua imagem e semelhança.

Terra adorada de São Paulo, sem seres Deus, és o Deus do Brasil; e a tua essência sempiterna, arcano de maravilhas e perfeições, está no coração de tuas filhas benditas!

Uma das mais belas e heroicas passagens durante a Revolução Constitucionalista de 1932, foi o engajamento e a dedicação das mulheres, mães resignadas, fortes e corajosas deixando o exemplo do amor puro e incondicional a seus filhos e à Pátria.





MÃE é símbolo de coragem, abnegação, solidariedade e amor é o alicerce e o exemplo para que seus filhos sigam uma vida digna e plena.

 

O PORTAL TRINCHEIRAS DE JAGUARIÚNA DESEJA A TODAS AS MÃES UM FELIZ DIA COM MUITO AMOR E CARINHO!!!

 

UMA HOMENAGEM ESPECIAL À MINHA MÃE E AVÓS QUE BRILHARAM NA TERRA COMO HEROINAS E BRILHAM NO INFINITO COMO AS ESTRELAS!!!

 

 

 

Bibliografia.

RODRIGUES, J., A Mulher Paulista no Movimento Pró Constituinte. Empresa Gráfica 

da Revista dos Tribunais, 1933, 192p.

https://pt.wikipedia.org/wiki

 

 

Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.

quarta-feira, 27 de março de 2024

PRÓDOMOS DO 9 DE JULHO DE 1932.

 

Transcrevo este interessante relato feito pelo escritor e historiador, Tito Lívio Ferreira, em seu livro História de São Paulo segundo volume, sobre fatos que envolveram a Revolução Constitucionalista de 1932:

“Pesava sobre o Brasil, desde 1930, a nuvem negra da ditadura. A gente Paulista, onde se fundiam Paulistas e Brasileiros de todos os Estados, levanta-se em armas na manhã memorável de 9 de julho de 1932, contra a ditadura opressora. Simboliza esse movimento indômito o impulso incoercível da alma livre de um povo soberano desde os primórdios do Brasil Província. Este povo em armas vai lutar pela imediata reconstituição da Pátria. Assumem o comando das forças constitucionalistas o General Bertoldo Klinger e Coronel Euclides de Figueiredo. A mística dos Brasileiros de São Paulo é: “Tudo pela Constituição!”. A 10 de julho de 1932 o Interventor Pedro de Toledo é aclamado Governador de São Paulo. Paulistas e Brasileiros, homens, mulheres, velhos e crianças, todos se unem num bloco, todos se congregam em torno do mesmo pensamento, da mesma vontade, da mesma ação onde palpita a consciência coletiva. E civis e militares, unidos escrevem com o próprio sangue, a epopéia fremente de civismo, estuante de admirável beleza, impar na História de nossa terra e nossa gente.

Após três meses de luta em todas as fronteiras paulistas, a 2 de outubro de 1932, fecha-se mais uma página de idealismo e bravura, São Paulo combate o bom combate, sem aviação, sem artilharia, sem engenharia. Havia dentro de cada um dos combatentes de 32 a sede implacável de Liberdade. Por ela ardiam as nossas qualidades militares acesas na lareira viva do Bandeirismo, cuja chama alta e inquieta ilumina todos os horizontes do mesmo território da Pátria Brasileira, Nos séculos XVII, XVIII, XIX a Bandeira do Rei, levantada pelos homens de São Paulo alteia-se na obra magnifica da formação e consolidação da Pátria. A mesma Bandeira desfralda em 32 pela Constituição, alçada em lábaro vivo da comunidade, dentro da órbita restrita, mas autônoma, vigilante e nacionalista. E o nosso nacionalismo tradicionalista se alicerça no passado comum, na existência comum, na história comum do Luso cristianismo. Na insígnia de nossa Bandeira inscrevemos: A permanência na continuidade, Daí lutarmos no passado, no presente em função do futuro. Pela Lei, pela Grei e pela Liberdade.

São Paulo jamais se ergueu contra o Rei constituído.  Levanta-se, como um só homem, em 1932, consciente do seu direito de revolta. Em “Les princepes fondamentaux du droit”, o Marquês de Vareilles-Sommiérez, decano então da Faculdade de Direito na Universidade Católica de Lille, fixa bem o caos em que a revolta não é apenas um direito, mas um dever imperativo. Ouçamo-lo:

“Todavia, se o soberano exerce uma tirania criminosa; se, em lugar de procurar a ordem, a justiça e todos os benefícios ordinários do poder, ele prodigaliza aos seus súditos a iniquidade, a vergonha e a ruína; se ele os impede de obedecer as leis de Deus, se ele se apodera da infância para lhe.” corromper o espirito e o coração, a revolta torna-se lícita e por vezes obrigatória.”

Assim, pensavam e agiam os vassalos do Rei, quando o soberano português, D. Sancho II deixa o Reino cair na anarquia, na desordem, no caos, em 1241. E o Rei foi deposto pelos seus vassalos, para ser elevado ao trono, seu irmão D. Afonso III de Portugal.

Exposto o direito de revolta, lícita e às vezes obrigatória, Vareilles-Sommieres prossegue:

“Nós apoiamos, no caso presente, o direito da revolta primeiro e sobretudo no direito de legitima defesa. Os inferiores não tem direito de julgar e punir os seus superiores, mas eles têm o direito de se defenderem contra eles próprios. A legitima defesa, que em direito criminal absolve o criminoso, em direito constitucional justifica a revolta.”

Por esse direito constitucional se levanta São Paulo em 1932. A Constituição justifica o direito de revolta correspondente perante a sociedade ao direito individual da legítima defesa. Como direito que é, ele tem características jurídicas bem distintas e bem marcantes. Não era contra o poder legalmente constituído, embora a própria legitimidade cesse no instante em que a comunidade corre perigo de se subverter pelos desvarios e erros de quem tem o dever jurídico-moral de mantê-la em paz e segurança. E o Brasil não tinha então nem paz, nem segurança, nem governo constituído.

Nessas condições, para Vareilles- Sommiéres no direito de revolta, “o direito de impedir o mal, o direito de ocupar o poder desde que esteja vago e de desembaraçar os primeiros obstáculos, pertence, sem que seja possível contesta-lo com seriedade, tanto às frações da comunidade como a própria comunidade.” O Governo da República apresentava-se vago, desde 1930. Seu ocupante não fora eleito para o cargo. Exerce o poder ilegalmente. São Paulo conjuga Paulistas e Brasileiros para a formidável jornada constitucionalista. Mais alta e mais prestigiosa a figura do Apóstolo se torna, quando através da coragem moral e cívica de seus comandados levanta na ponta da espada a dignidade dum princípio de direito. E ele simboliza a Pátria, acima de ódio e de paixões, a lavrar o protesto da coletividade brasileira contra a conquista interna de quem pensava discricionariamente, de quem repudia a Constituição da República.





 

A REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA.

O levante militar de 3 de dezembro de 1930 representa a tomada do poder pela violência. Conduz, na ponta dos fuzis e metralhadoras, à presidência da República, Getúlio Vargas, candidato derrotado nas eleições de 1 de março daquele ano. Assume a governança, precedido de intensa propaganda, baseada em promessas jamais cumpridas. Decorridos poucos meses era geral a insatisfação em todas as classes. E parte de São Paulo o primeiro movimento contra a ditadura, porque São Paulo sempre foi o civil militarizado, guardião das “Ordenações do Reino”, da Constituição Política do Império e da primeira República Brasileira.

Por isso, a Força Pública de São Paulo encarnou o desagrado e a decepção crescentes em todos os setores das atividades paulistas, onde mais sensíveis, no Brasil, eram os efeitos da incapacidade governamental imperante. Daí a rebelião de 28 de abril de 1931. Esse movimento falhou nos seus objetivos devido à falta de melhor entrosamento entre os elementos civis e militares, de outras esferas, comprometidos.

A antiga Colônia Correcional de Taubaté foi transformada em presídio militar a fim de receber os numerosos Oficiais de todos os postos implicados na rebelião de 28 de abril de 1931. Coube assim à Força Pública do Estado de São Paulo a precedência no roteiro das reações em cadeia contra a ditadura implantado em 1930 por Getúlio Vargas. Assim, naquela data – 28 de abril de 1931 – situam-se os primórdios culminantes na Revolução Constitucionalista de 9 de julho de 1932, depõe o Coronel Luiz Tenório de Brito, Comandante do 2º Batalhão do Regimento 9 de Julho em operações na linha Paranapanema – Apiaí-Ribeira. E iniciado a 9 de julho, o movimento constitucionalista encerra-se três meses depois, a 2 de outubro de 1932.

 

O MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO DE 1932.

 Transcrevemos, a seguir, o depoimento escrito pelo Dr. Aureliano Leite, Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, Presidente de Honra da Ordem Nacional dos Bandeirantes e dos principais chefes civis do movimento constitucionalista de 1932. Essa página descreve os antecedentes do glorioso 23 de maio de 1932 e constituem, assevera o Dr. Aureliano Leite, o “resumo rigorosamente cronológico e rigorosamente histórico” desses acontecimentos memoráveis.

1932 – 17 DE JANEIRO – O Partido Democrático presidido pelo Prof. Francisco Morato, um dos responsáveis pela Revolução de 1930, rompe com a Ditadura e concita os brasileiros, em especial os paulistas, a se congregarem em combate indefesso aos perigos que ameaçam os destinos e segurança da Nação.

              25 DE JANEIRO – Comício monstro na Praça da Catedral contra a Ditadura, com o comparecimento dos partidos políticos (P.D e P.R.P.), classes conservadoras, estudantes e povo em geral. Foram os próceres dos partidos políticos, estudantes e representantes das classes conservadoras.

              16 DE FEVEREIRO -  Constitui-se a Frente Única Paulista, formada dos dois partidos e classes conservadoras. Lança-se manifesto assinado pelos membros dos dois diretórios. Declara esse documento “que os filhos de Piratininga nunca andaram apartados nos lances da adversidade”. “Nada há agora que os separe”. Termina com este trecho: “Ponhamo-nos à altura do papel que sempre nos coube no cenário nacional. Unidos patentearemos aos nossos compatriotas a resolução irredutível em que nos mantemos por nós mesmos e de reacender as energias com que temos contribuído para a construção e prosperidade da Pátria.” Dos políticos vivos assinaram esse documento: Altino Arantes, Melo Neto, Marrey Júnior, Francisco Mesquita, Henrique Bayma, Celidônio Filho, Vicente Rao, Ribeiro da Luz, Ubaldino Azevedo, Waldemar Ferreira, Antônio Feliciano, P. Nogueira Filho, Aureliano Leite, Plínio Queiroz, Vicente Pinheiro e Elias Machado de Almeida.

                 24 DE FEVEREIRO – Novo comício monstro, na Praça da Catedral, em que falaram vários oradores, políticos e populares, da escadaria do templo.

Salientou-se a oração de Waldemar Ferreira, chamando de eunucos os tenentes de Getúlio Vargas, o que os enfureceu.

               25 DE FEVEREIRO – Elementos do Clube 3 de Outubro, entidade formada por militares de velhas revoluções empastelam espetacularmente, no Rio, o Diário Carioca, dirigido pelo jornalista J. E. Macedo Soares, o que repercutiu tremendamente em São Paulo.

              26 DE FEVEREIRO -  Os titulares gaúchos do Ministério da Ditadura, desiludidos com o Ditador, abandonam os seus cargos e dirigem-se incontinente para Porto Alegre. De passagem por São Paulo, concitam os paulistas a mandarem até lá emissários credenciados para tratar da Revolução com a Frente Única dos Pampas. Atendendo a essa sugestão, partem para o Sul os dois delegados Abelardo Vergueiro Cesar e Aureliano Leite, que regressariam de Porto Alegre com compromisso formal da sua Frente Única, liderando o povo e as forças armadas de marchar com São Paulo para a Revolução. O interventor – Flôres da Cunha mostra-se solidário com a Frente Única.

                 7 DE MARÇO – Assume a interventoria de São Paulo o embaixador Pedro de Toledo. Pensa o Ditador com essa nomeação atender a intimação dos paulistas, que exigiam um paulista civil para dirigir o Estado. De começo, o embaixador não passou de um despachador de expediente, envolvido por um secretariado escolhido pelo Ditador à revelia de seu delegado.

                  MEADOS DE MARÇO – A Frente Única do Rio Grande rompe com a Ditadura, enviando-lhe ultimatum exigindo-lhe o cumprimento da mensagem do embaixador Assis Brasil, encarregado de transmitir as suas exigências à constitucionalização liberal, imediata do País.

                  27 DE ABRIL – O Ditador acirra mais o povo de São Paulo com a adoção do Laudo do General Villero y, na bissecular questão de limites entre São Paulo e Minas, atentando contra o território paulista. Aumenta-se ainda mais a tensão dos espíritos, na Capital e no interior. Conspira-se, abertamente. Constitui-se o primeiro comitê executivo da Revolução, composto de: Ataliba Leonel, Júlio de Mesquita Filho, Cesário Coimbra e Coriolano de Góes, dividindo-se o Estado em 10 setores entregues a vários próceres políticos. Desentendem-se o General Góes Monteiro, comandante da 2ª Região Militar, e o General Miguel Costa, comandante da Força Pública. Na casa de Leôncio Neri, realiza-se reunião a que comparecem Góes e representantes da Frente Única Paulista. Góes propõe a entrega de São Paulo aos paulistas, o que é repelido pelo tenentismo. Nessa altura, Pedro de Toledo, converte-se nobremente ao paulistismo, desistindo das tentativas de reunir o Estado em torno do Ditador. Agora, já se preocupa o ventrando Interventor com os altos destinos de sua própria terra. Interada disso, a Frente Única Paulista aproxima-se do Interventor, envidando esforços no sentido de promover a substituição do seu secretariado, francamente getulista. Pedro de Toledo chega a ir ao Rio para tentar demover o Ditador, nada conseguindo. Teria proferido então a célebre frase: “SÃO PAULO MARCHA PARA A GUERRA OU PARA A PAZ”.

            30 DE ABRIL – Os estudantes de Direito promovem jocosa passeata de calouros ridicularizando corajosamente as principais figuras da ditadura, Miguel Costa, Góes, Cordeiro de Farias, João Alberto, General Rabelo, Osvaldo Aranha, etc.

          13 DE MAIO – Realiza-se na Praça da Sé mais um comício monstro contra a Ditadura.

          14 DE MAIO – A Ditadura faz publicar nota em que prestigia o General M. da Costa, comandante da Força Pública, e, ao mesmo tempo, o General Góes, comandante da 2ª Região Militar, declarando mais que o secretariado do Interventor só seria de novo escolhido de acordo com o Ditador. São Paulo cresce cada vez mais no seu justo rancor e repúdio contra os déspotas que se assenhorearam do Brasil. Não eram mais os políticos que guiavam o povo. Era ele próprio. Marcharia por si mesmo, com os políticos ou sem eles.

          18 DE MAIO – Osvaldo Aranha, Ministro de Getúlio, colocado por alguns dias à margem dos acontecimentos, volta à tona. Anunciou a sua mediação para apaziguar São Paulo, terra de seu pai. Pensou em tentar substituir Pedro de Toledo por dois elementos do Partido Democrático – Marrey Júnior e Antônio Feliciano. Apressa, sua vinda a São Paulo para isso.

          22 DE MAIO – DOMINGO – Eis que telefonemas e telegramas confirmam a partida de Osvaldo Aranha para São Paulo, de automóvel. Atinge o Vale do Paraíba. Corre desabaladamente sobre a velha Piratininga. A tremenda afronta repercute incrivelmente em São Paulo. As praças e ruas da Capital começam a encher-se de povo, revoltado com mais essa provocação. Distribuem-se boletins como este: - “Paulistas: mais uma vez o Ministro Osvaldo Aranha, como enviado especial do Ditador, vem a São Paulo com o intuito de arrebatar ao povo paulista o sagrado direito de escolher os seus governantes. O povo reunir-se-á, hoje às quinze horas, na Praça do Patriarca, para decidir dos seus destinos. Eia povo de São Paulo! É chegado a hora da libertação e da vitória!”. Chegou-se a pensar em deflagrar nesse mesmo dia a revolução, aproveitando-se a presença em São Paulo do Cel. Euclides Figueiredo. Osvaldo chega à Penha. Verifica-se o desembarque do Ministro na Villa Kyrial, na rua Domingos de Morais, residência de seu tio, Freitas Vale. No Triângulo e vizinhanças, multidões alvoroçadas empunham bandeiras paulista e brasileira, vagueando com hurras contra a ditadura. Oradores assomam às janelas. Na Praça do Patriarca, de um porta- voz potente, armado nos altos da Casa Caio Prado, falam vários oradores, entre eles, estudantes. Lembro-me de Ibraim Nobre, José Leffrevre, Gomes Martins, Dario Ribeiro Filho e outros. A multidão, a convite de, entre outros, Ibraim e Silvio de Campos, dirige-se à sede da 2ª Região (Conselheiro Crispiano). Conserva-se de portão fechado o edifício, mas de cima do gradil fala ao povo o Cap. Gastão Goulart, afirmando que as forças do Exército não atirariam contra os paulistas. Dalí, já noite, a multidão marcha para a Luz, em demanda dos quartéis da Força Pública. Detêm-se no Comando Geral, cujo prédio seria depois incendiado. Concita os soldados a virem para a rua acolher-se às bandeiras paulista e brasileira. O comandante geral Campos Castro não está. Seu substituto é o Cel. H. de Carvalho. Ibraim, em flamejante discurso, excita os soldados. Herculano dispõe-se a receber para parlamentar uma comissão do povo. Recebe-a e a introduz no comando o Cap. Mário Rangel.

Compõe-se a comissão do povo de Sílvio, Pereira Lima, Ibraim, Luciano Gualberto, Aureliano e outros. No momento em que é atendida a comissão, um esquadrão da cavalaria surge inopinadamente em frente do quartel e atropela e espaldeira o povo, havendo troca de tiros, de que saíram feridos alguns populares. A multidão enfurecida, sempre chefiada por Ibraim, Sílvio e outros, marcha daí para o Palácio dos Campos Elísios, invade o jardim e os terraços, sendo atendida por Pedro de Toledo, que promete agir imediatamente em defesa de São Paulo.

          23 DE MAIO – Segunda feira – Ninguém dormiu em São Paulo de 22 para 23. O dia amanheceu em polvorosa. O comércio fechou as suas portas, logo após o almoço e veio também para as vias públicas. Carlos Nazaré, presidente da Associação Comercial, faz distribuir um boletim subversivo. O “Diário da Noit” estampa manifesto de grande parte da Força Pública manifestando-se ao lado do povo. A massa humana, pela tardinha, dirige-se de novo aos Campos Elísios, de novo invadindo jardim e dependências. Exige a designação imediata de novo secretariado, no que afinal é atendida. Marca-se para a noite, na Secretaria da Justiça, no Páteo do Colégio, a posse do 1º Secretário Waldemar Ferreira. A massa humana, que não deserta um só instante do Triângulo e praças contíguas, em gritos delirantes, como no velhos tempos de Piratininga, saca de suas armas de fogo e as detona para o ar, em salvas repetidas, no memento em que o secretário Silva Gordo passa a Waldemar Ferreira a pasta da Justiça, nomeando-se em seguida e empossando-se comandante da Força Pública o Cel. e depois General Marcondes Salgado. O povo, não satisfeito com a vitória alcançada, dirige-se à sede dos jornais: A Razão, órgão de Osvaldo Aranha, e Correio da Tarde, de Miguel Costa, e os incendeia. Daí o povo ruma contra a sede da Legião Revolucionária, ou Partido Popular Paulista, chefiado por Miguel Costa, nos altos da rua Barão de Itapetininga, esquina da Praça da República. É recebido a tiros de fuzis e metralhadora. Trava-se ligeiro combate, caindo mortalmente feridos, na Praça da República, os moços Miragaia, Martins, Drausio e Camargo, cujas siglas dariam o nome à sociedade secreta, fundada no outro dia, 24 de maio, no Clube Comercial, qual foram iniciadores J. Sampaio Vidal, Prudente de Morais Neto, Paulo Nogueira Filho e Aureliano Leite.

E a luta armada finalmente acabou estrondando na noite de 9 de julho, deflagrada oficialmente na Chácara do Carvalho, para onde havia sido transferida a 2ª Região Militar. Coube o comando inicial ao Cel. Euclides Figueiredo, dirigida depois pelo Gal. Bertoldo Klinger, sob a chefia suprema do Gal. Isidoro Dias Lopes.

Soldados e civis, enquadrados em batalhões patrióticos, marcharam incontinente para todas as faces do território paulista, para o próprio Oceano, menos para o lado de Mato Grosso que correu a sorte de São Paulo.

Ao cabo de quase três meses de porfia heróica, do lado de lá, brasileiros dispondo das melhores e mais abundantes armas e munição farta; do lado de cá, brasileiros com armas improvisadas e faltas de munição, fomos vencidos militarmente. Obra da fatalidade, de um destino irrevogável. Não culpemos a ninguém pela desgraça.

Mas o espírito cívico de São Paulo não s abateu com a derrota. Ele jamais desapareceu de suas almas. Manteve-se vivo, latejando em suas veias, pulsando em seus corações até hoje, aguardando o dia, a hora, o momento da ressurreição, da redenção.

Não foi embalde o seu apelo às nossas bravas e intemeratas Forças Armadas. 32 anos, número sagrado no simbologismo histórico e cívico de Piratininga, foram precisos para que o Brasil se convencesse de que São Paulo tinha razão. Minas, Rio Grande do Sul, Guanabara, Pernambuco, Paraná, Mato Grosso e o nosso São Paulo, a impávida mulher brasileira à frente, afinal cerraram fileiras em torno do Exército, da Aviação e da Marinha, que nos trouxeram, sem sangue derramado, nesta era redentora de 64 a libertação pela qual, na era amarga de 32 os brasileiros de São Paulo choraram lágrimas sobre o túmulo de seus filhos tombados em combates. Não choraram pela sua perda, choraram pela Pátria infelicitada. Mas a Pátria mereceu a imolação. Não regateamos nenhum sacrifício por ela. Daremos pela salvação tudo quanto ela nos pedir, tudo quanto carecer de nós, inclusive de novo o sangue de nossos filhos, quando preciso for.

 

 

Tito Lívio Ferreira

Tito Lívio Ferreira foi um historiador, professor de História da Idade Média e de História de Portugal na Faculdade de Filosofia de São Bento da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, e escritor brasileiro. Foi professor dos três níveis. Lecionou francês no Ginásio Ipiranga, professor de História Antiga, Medieval e das Américas na PUC-SP. Ministrou Curso de Extensão Universitária na PUC de Porto Alegre -RS em 1962, sobre História de Portugal. Foi um dos fundadores do Centro do Professorado Paulista. Colaborou durante trinta anos, regularmente em vários jornais paulistas, entre os quais A Gazeta e o O Estado de S. Paulo.

 



Capa do livro


 

Fonte.

FERREIRA, T. L., A História de São Paulo, Gráfica Biblos Ltda, São Paulo, 1968, 326p.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Tito_Livio_Ferreira


Publicado e editado por Maria Helena de Toledo S. Melo.


quinta-feira, 7 de março de 2024

MENSAGEM DAS SENHORAS PAULISTAS EM 1932!

 

MENSAGEM DAS SENHORAS PAULISTAS AOS SOLDADOS DA CONSTITUIÇÃO E AOS BRASILEIROS DE OUTROS ESTADOS.


Em um dia de 1932 mulheres se reuniram para apoiar o movimento constitucionalista:


O Ministro Oswaldo Aranha, em sua oração, pretendeu denunciar como criminosos o Estado que ousou rebelar-se contra a ditadura e que vinha sendo sacrificado pela sua felonia ao rancor e à ambição dos despeitados. Mas São Paulo, apostolo da Lei e redentor do Brasil, não será vencido. Com ele e por ele estão todos os filhos dos outros Estados aqui residentes e os que no Brasil inteiro vibram pelo mesmo ideal.

São Paulo lutará, mas triunfara, porque possui a fé inquebrantável na sua alta missão e na legitimidade do direito que defende.

São Paulo vencerá, porque sabe realizar milagres de resignação, de pertinácia e de bravura.

Vencerá porque o nobre povo paulista acompanha unanimemente, delirantemente, os seus bravos amigos do Exército e da Força Pública que combatem a ditadura.

Vencerá, porque não foram os políticos que levantaram São Paulo pelo Brasil! Não teriam eles o poder de inspirar tanta abnegação, tanto heroísmo, a uma população inteira. Nem foram os militares, que dispõem de armas, mas não dispõem de consciências. E é unicamente a consciência cívica, o admirável patriotismo dos paulistas e de seus irmãos de ideal, que os impele irresistivelmente ao sacrifício pela pátria comum.

São Paulo vencerá, porque não se bate nunca por interesses mesquinhos. Porque a causa paulista traduz o mais puro anseio das almas brasileiras.

São Paulo vencerá porque todas as famílias se dedicam abnegadamente, fornecendo às tropas todo o conforto material e moral, e o imenso contingente de civis que as reforçam.

Que nos ouçam e nos secundem os nossos irmãos dos outros Estados! São Paulo que soube sofrer, que soube esperar, também saberá vencer! As deslealdades não nos intimidam; nem nos atemorizam as ameaças. Seremos vitoriosos para a felicidade do Brasil.

Antonietta Penteado da Silva Prado, Corina Prado de Mendonça, Alice P. de Mendonça, Marietta Chaves da Silva Ramos, Jane C. Pacheco e Chaves, Mercedes da Silva Ramos, Maria Helena Prado da Silva Ramos, Victoria Pinto de Almeida Lima, Lavinia Prado de Oliveira, Julita Prado Alves de Lima, Stella A. de Lima Rodrigues, Elisa de Rezende Puech, Albertina Spengler, Rachel Simonsen, Ismenia Glasser Junqueira, Maria Augusta R. Ferreira, Luiza Gama Cerqueira de Carvalho, Esther Cardoso de Almeida, Maria Galvão Bueno Rodrigues, Maria Candida Rodrigues M. Abreu, Leonor Sampaio Moreira, Maria N. Sampaio Moreira, Ernestina P. Alves de Almeida, Clotilde Uchôa da Veiga, Sylvia de Carvalho Thiollier, Clarisse Sampaio Moreira, Eunyce Alves de Lima Pochat, Heloisa Alves de Lima Porchat, Heloisa Alves de Lima e Motta, Isabel Rodrigues Sodré, Helena de Magalhães Castro, Eleonor de Mello Alves, Haydée Ferreira Rodrigues, Maria de Lourdes de Magalhães Castro, Onadyr Ribeiro de Camargo, Helena Faria de Magalhães Castro, Clarice de Magalhães Castro, Francisca Nogueira de Moraes Barros, Maria Ignez Mendes Pinheiro, Elisa de Moraes Mendes, Sylvia Mendes Cajado, Annita Junqueira, Sylvia Barros Uchôa, Adelia J. Ribeiro dos Santos, Amelia Uchõa Junqueira, Isabel de Oliveira Paranaguá, Lucia de Barros Maranhão, Amanda Paranaguá de Almeida Brandão, Vera Paranaguá de Almeida Brandão, Vera Paranaguá de Sousa Dantas, Kothe Schorcht Antunes dos Santos, Elisa de Toledo Schorcht, Noemi Oliveira de Barros, Irene Garcia de Oliveira Barros, Gertrudes Barros de Souza Queiroz, Anna Barbosa Guyer, Margot Barbosa Guyer, Mabel Barbosa Guyer, Antonietta de Souza Queiroz Oliveira, Gabriella de Souza Queiroz Oliveira, Carolina da Costa Carvalho de Souza Queiroz, Sabina de Souza Queiroz do Amaral, Noé de Paula Lima, Albertina V. da Silva Gordo, Antonia de Souza Queiroz, Rosa Barros Amaral, Carolina Penteado da Silva Telles, A. Branco Lefèvre, Maria de Lourdes Lefèvre, Maria Rabello da Silva, Dóra Leme da Fonseca, Wanda Arouche de Toledo, Dinah Caiuby, Nina Penteado, Amanda Penteado, Maria Penteado, Helena Marina Penteado de Rezende, Beatriz Caiuby Salles, Georgina Boucherville Caiuby, Odette O’Leary, Marina O. de Almeida Prado Penteado, Myrtes Brasack, Gilda Nogueira, Yolanda Pereira de Almeida, Carolina Fraga, Nair de Carvalho Medeiros, Albertina Pereira de Almeida, Marina Sabino de Assumpção, Cecilia e Anita Fraga, Julia Leme da Fonseca, Julieta de Carvalho, viúva Theodoro Carvalho, Angela Vampré, Adelina de Campos Lara, senhora Octavio de Carvalho, Cecilia C. Monteiro de Barros Claudio Silva, Raphaela Sampaio Vianna, Stela Lafayette da Silva Porto, Sylvia Brotero, Beatriz Piza Lacerda, Bella Conceição, Maria Joanna Rodrigues dos Santos, Mary Sampaio Vianna, Rosalina Marques de Souza, Stella Piza, Bellinha Piza, Yolanda Pires de Campos, Julia Toledo Piza, Sylvia de Barros, Gilda Conceição Brant Carvalho, Olga Conceição Teixeira de Carvalho, Hemantina Conceição, May Conceição de Souza Neves, Joannita Paula Leite de Barros, Helena de Moraes Salles, Cinira Leite de Barros, Carlota Pereira de Queiroz, Annita Malfatti, Josephina Paula Leite Nogueira, Annita Paula Leite de Barros, Nenê P. Leite de Souza Queiroz, Sarah Ribeiro, Olivia Guedes Penteado, Adelia Carvalho de Moraes Salles, Clotilde de Freitas Camargo, Julia de Freitas, Nadyr Braga, Clara Fonseca, Anna Queiroz Telles, viúva Theodureto de Carvalho, Josephina Malta Cardoso, senhora Raul Boliguer, Ignez de Queiroz Telles, senhora Padua Salles, Margarida Moreno, Edith da Gama Cerqueira, Elisa Barros Alves de Lima, CacildaLevy Passos, Maria da Gloria Passos Maia, Eugenia da Gama Cerqueira, Anna de Toledo Passos, Judith Mesquita, Alice Rodrigues Dias, Zuleika Duarte Nunes de Freitas, Leonor Cardoso de Mello, Dulce Cardoso de Mello Munhoz, America Kingelhoefer de Miranda Jordão, Marina Munhoz, Nazareth Cardoso de Mello, Maria de Lourdes Lopes Chaves, Helena Brant Carvalho, Lygia Cintra Rodrigues Dias, Cacilda F. da Gama Cerqueira, Nair Miranda Pirajá, Arethuza Pompeia, Sylvia Mattos Pimenta, Magdalena Barcellos Miranda, Lucia F. Sampaio Vianna, condessa Penteado, Elisa Silva Prado, Marietta Ferreira Campos Salles, Gabriela Ribeiro dos Santos, Lucilia Corrêa de Oliveira, Rosée de Castro Magalhães, Maria Julia de Toledo Setubal, Ercilia de Aguirre Quintella, Maria do Carmo Aguirre Quintella, viúva  dr. Alex Pedroso, Isolina de Toledo Ribeiro, Clarita Mendonça Cortez, Maria Peixe, Le Almeida Prado Pedroso, Maria Pedrosa Orlando Martins, Isabel de Oliveira Paranaguá, Amanda Paranaguá Brandão, Verá Paranaguá de Souza Dantas, Noemi Oliveira de Barros, Maria da Silva Guerra, Irene Garcia Oliveira de Barros, Sylvia Souza Queiroz do Amaral, Maria Flora A. de Souza Queiroz do Amaral, Lucilla de Souza Queiroz, Adelaide de Souza Queiroz, Maria do Carmo Paes de Barros, Maria Rosa Paes de Barros, Albertina Paes de Barros, Eugenia Rodrigues de Andrade, Helvira de Oliveira Caiuby, Maria Antonietta Camargo  Lima, Alzira Seabra Camargo, Irene Nogueira, Dulce de Souza, Guiomar Seabra Ferraz, Beatriz Oliveira Camargo, Laly o. Seabra, Bebe Seabra, Odete Seabra Stein, Helma Oliveira Silva, Celina Lima Malheiro, Maria do Carmo Lima, Argentina Almeida Santos, Luiza Almeida Santos, Annita Santos, Sophia Almeida Santos , Ismalia de S. Queiroz Sampaio,  Antonia S. Queiroz  de Oliveira, Ismenia de Souza Queiroz, Georgina de Aguiar Barros, Odila de Aguiar Barros, Maria de Mesquita Sampaio, Thereza Pompêo de Queiroz Lacerda, Lucia Lacerda de Souza Queiroz, Cecilia de Souza Queiroz, Margarida de Lacerda Ferraz, Maria Lacerda Pompêo de Camargo, Domitilla Leite Santos, Maria Flora de Leite Santos, Benedita de Paula Leite Santos, Lunita de Paula Leite Sampaio, Ainda Joppert de Paula Leite, Carolina Pacheco Paula Leite, Escolastica Almeida Barros, Francisca Almeida Barros, Maria Leite Cunha, Adelina Leite Ulson, Clarice Pompêo Piza,Marilia Pompêo Piza, Cacilda Figueiredo, Nelia de Paula Leite, Odila de Paula Leite, Laly de Paula Leite, Leonor de Paula Leite O. Camargo, Maria de Paula Leite Novaes, Alipia de Paula Leite Paraiso, Leticia de Paula Leite Camargo, Cornelia de Paula Leite Lara, Maria de Paula Leite Moraes, Maria Isabel de Paula Leite Novaes, Elvira de Arruda Leite, Dadá Silveira de Paula Leite, Diva Fonseca de Paula Leite, Nair Moraes de Paula Leite, Beatriz Lara de Paula Leite, Cecilia de Paula Leite Camargo, Isabel de Paula Leite, Elisa Margarida Galvão de Camargo, Antonieta Galvão de Camargo, Antonietta Corrêa Galvão, Floriza Silveira Correa, Nawy Silveira Corrêa, Maria de Almeida Campos Mesquita, Maria de Campos Mesquita, Antonietta Campos Mesquita, Luiza Duarte Pereira, Celina Duarte Pereira, Judith de Mello Padua, Alzira Duarte, Adelaide Duarte, Anna Ramos, Henriqueta Nacolina, Candida Joly da Silveira, Edith Lima Malheiro, Maria Luisa Guimaraes, Maria Euphrasia Pinheiro Lima, Romilia Joly da Silva, Cacilda Joly de Lima, Rosalia Malheiro, Nicolina Soares Moreira Freire.

“Honra, bravura, heroicidade, amor e religião, eis os fatores que fazem a Mulher Paulista a mulher por excelência dos nossos dias, o ente adorado, o Anjo mais perfeito que Deus pudera dar a um povo como prêmio e galardão das suas virtudes”.

 

 


Honras a estas mulheres que lutaram pela Lei, pela Ordem e pela Constituição e à todas as mulheres do Brasil um excelente Dia Internacional Das Mulheres é o que deseja o Portal Trincheiras de Jaguariúna.

 

Fonte.

Rodrigues, J., A Mulher Paulista no Movimento Pró Constituinte. Empresa Gráfica da Revista dos Tribunais, 1933, 192p.

 

Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo

ANIVERSÁRIO DO PORTAL “TRINCHEIRAS DE JAGUARIÚNA”!

    14 ANOS! Em 2012, iniciei as pesquisas relacionadas à Revolução Constitucionalista de 1932 em Jaguariúna. Nestes 14 anos, muitas mat...