sábado, 12 de junho de 2021

CHER AMI

 

A EMOCIONANTE HISTÓRIA DA POMBA QUE EVITOU A MORTE DE SOLDADOS NA PRIMEIRA GUERRA.



Numa cerimônia militar de grande pompa, o HERÓI DA 77ª DIVISÃO DE INFANTARIA DO EXÉRCITO NORTE AMERICANO recebe a CROIX DE GUERRE pelo valoroso serviço prestado em solo francês durante a Primeira Guerra Mundial. Os Soldados sobreviventes da mesma divisão prorrompem em aplausos. Ao longo do ato, o protagonista mantém um ar despreocupado. Tendo agido sem pensar em prestigio, é indiferente às honras. Tal modéstia lhe convém, pois ainda que se estique, sua altura máxima não passa de poucos centímetros.

Este singular condecorado é CHER AMI, o pombo-correio que salvou o “Batalhão Perdido” da famosa Batalha da Floresta Argonne.

 

CHER AMI, o pombo correio e sua medalha.


Em 1918, o auge da Primeira Guerra Mundial obrigou os militares envolvidos a buscarem inovações tecnológicas e práticas para sair na frente durante as batalhas. Com o objetivo de ajudar a Aliança, a Grã-Bretanha doou dezenas de pombos treinados para o Exército dos Estados Unidos quando se instalaram na França.

Os militares utilizaram mecanismos para se defender dos inimigos. Uma das táticas mais comuns era utilizar pombos-correios, para ajudar os soldados durante os confrontos.

As aves tinham o objetivo de enviar mensagens aos homens que estavam no campo de batalha. Adestrados, rápidos e muito inteligentes, esses animais foram responsáveis por salvar a vida de muitas pessoas e, consequentemente, evitar tragédias ainda maiores.

Um dos casos mais famosos foi o da pomba Cher Ami. O animal foi responsável por salvar a vida de 194 homens.

Cher Ami ("querido amigo", traduzido do francês), foi a responsável por evitar uma das maiores tragédias entre os estadunidenses. Durante a Ofensiva Meuse-Argonne, em 3 de outubro de 1918, mais de 550 militares americanos se perderam e acabaram em um lugar cercado de alemães, território inimigo.

Após quatro anos de ferrenho conflito, os franceses, os ingleses e outros aliados estavam num impasse com as Potências Centrais. Um fator importante, porém, pesava em seu favor: o espirito de luta do inimigo já estava quebrado. Eles aproveitaram esta hora crítica para desencadear a Ofensiva dos Cem Dias ao longo da Frente Ocidental. Seu desfecho vitorioso, no dia 11 de novembro de 1918, assinalava o fim da guerra.

Neste embate, destaca-se o empreendimento de nove companhias americanas da 77ª Divisão de Infantaria: eram 554 soldados, que, sob as ordens do alto comando, haviam feito um rápido avanço no interior da perigosa Floresta Argonne, na França. As unidades dos flancos, porém, não conseguiram acompanhar esta manobra. Como resultado, a 77ª Divisão ficou isolada, presa numa ravina, e cercada por forças alemãs. Por seis dias os soldados resistiram. Sem orientação de saída e com a possibilidade de serem capturados, os homens isolados tiveram que lidar com a escassez de comida, água e munição. Quando localizados, eram executados por inimigos ou sofriam tiros dos próprios americanos, que não sabiam que os homens na base inimiga seriam companheiros de missão. Em tal situação, o major Charles White Whittlesey teve a ideia de acionar os pombos.

Dois pombos foram enviados carregando mensagens sobre os feridos, a impossibilidade de evacuação e uma solicitação por reforços. Antes da entrega, direcionada a base americana, os pássaros foram abatidos por alemães. A terceira chance era de Cher Ami. Sem papel, o major Whittlesay teve de improvisar uma carta com papel de cebola e prender com um pedaço de lata na perna esquerda da ave.

Contendo a localização do grupo, na carta escreveu:  - Estamos junto à estrada do paralelo 276,4. Nossa artilharia está derrubando uma barragem que está em cima de nós. Pelo amor de Deus parem!” -  a pomba foi lançada, ao levantar voo por entre a folhagem, houve uma rajada de artilharia e em apenas alguns segundos de voo, foi atingida por um tiro, caindo de volta a floresta, junto tombaram cinco soldados. Sua persistência, no entanto, surpreendeu as tropas, com um furioso bater de asas conseguiu retomar a viagem e batendo suas asas por mais 25 minutos, até a base estadunidense, há cerca de 40 quilômetros atrás da linha de frente, o soldado de plantão no Siganal Pigeon Corps ouviu o tilintar de uma sineta indicando que uma das aves havia voltado ao pombal. Era Cher Ami. Devido a ação daquela ave, o bombardeio cessou imediatamente e rapidamente o socorro se pôs a caminho para auxiliar os 194 soldados restantes da 77ª Divisão.

Ao receber a mensagem, os militares notaram várias  lesões impressionantes por todo o seu corpo; o tiro atingiu a ave no peito, com os estilhaços cegou um de seus olhos, além de deixar a perna direita pendurada por um tendão.

Heroína que voa                                          

Após o susto, os médicos do Exército se esforçaram para garantir a vida da pomba, com sucesso. Sua perna teve de ser amputada, porém, recebeu uma prótese de madeira, além de cuidados e acompanhamentos até o fim da guerra. Condecorada com o título de Herói da 77ª Divisão da Infantaria, se tornou o animal de estimação do general John J. Pershing.

Ao ser levada aos Estados Unidos, retomou o voo e excursionou por diversas capitais como Estrela Nacional ostentando sua medalha Croix de Guerre, além de ter seu orientador e cuidador, Enoch Clifford, premiado pelos serviços prestados.

A pomba faleceu no ano seguinte ao seu retorno, em 13 de junho de 1919, devido a complicações causadas pelos ferimentos em batalha. Durante todo o tempo, os militares acreditavam que Cher Ami tratava-se de um pombo, porém, durante a realização de seu empalhamento, foi descoberto que a ave era fêmea.




Cher Ami, a Estrela Nacional com sua medalha.







Emblema do despretensioso cumprimento do dever.

Qual foi afinal, o verdadeiro valor da figura desta humilde ave para aqueles soldados acrisolados pelo drama da guerra?

No fundo, sabiam que Cher Ami havia atuado por instinto, sem razão e, a fortiori, sem mérito. Mas a glória deve exprimir-se por símbolos e, justamente por ter cumprido sua missão de forma tão simples e direta, Cher Ami simbolizava uma forma de glória que um monumento mais vistoso poderia não transmitir: a glória nascida da dor. É a glória de quem assume o risco, que avança em favor do bem comum, esquecido de si mesmo. É a glória do soldado anônimo, cuja identidade está inteiramente imbricada na luta na qual está engajado: Não quer ele representar para si ou para os outros um grande papel. Quer a vitória de uma grande causa.

Este soldado está convicto de que, por maior que seja a capacidade de um recipiente, pode bastar uma gota para fazê-lo transbordar. Assim numa hora crítica, a atitude de apenas um indivíduo pode mudar o curso da História. E, de fato, a tenacidade com a qual aqueles homens mantinham a posição na Floresta Argonne causou uma distração suficiente para permitir que as outras unidades aliadas rompessem a linha inimiga, forçando um recuo. O aparente fracasso havia sido, na realidade, um fator em prol da vitória definitiva.







Arte de Gabrielli Van Allen.


 

Pombos da guerra

Os pombos da guerra, como eram conhecidos, eram muito populares durante a I Grande Guerra Mundial.

Sua capacidade de voar através de áreas impenetráveis e não serem detectadas foi o que atraiu o exército, que começou a usar estes animais para a comunicação de guerra. As mensagens eram colocadas em pequenos sacos que eram encaixados no tornozelo das aves, elas saíam voando até a chegarem em uma espécie de poleiro. Assim que aterrissassem, a sua chegada era sinalizada por uma campainha, que alertaria os vigilantes da comitiva militar para recuperar a mensagem e enviá-la para quem fosse necessário. Em pouco tempo, os alemães começaram a abater quase todos os pombos que viam, sabendo que provavelmente eles estariam transportando informações importantes







Fonte.       

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/cher-ami-pomba-que-salvou-194-soldados-na-primeira-guerra-   

Revista dos Arautos do Evangelho, nº181, jan.2017, art. Ao Vosso Nome Dai Glória..., Ir. Elizabeth Veronica MacDonald

emmundial.phtml?fbclid=IwAR34kciZKSrnEysWKgLdIcw_hfxPfDHT5df2L159BNdRXJjKnpnE_OGq4lU, acesso em 09 de junho de 2021

https://br.blastingnews.com/curiosidades/2018/05/cher-ami-a-pomba-que-salvou-200-soldados-durante-guerra-002548741.html

 

 

Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.


sábado, 5 de junho de 2021

A PALAVRA DO Dr. PAULO MARIA DE LACERDA À MOCIDADE ESTUDIOSA.

 

CARTA ENVIADA À LIGA PAULISTA PRÓ CONSTITUINTE.

 

O Dr. Paulo Maria de Lacerda, Presidente do Clube 24 de Fevereiro, enviou à Liga Paulista Pró Constituinte a seguinte carta:

 

Rio de Janeiro, 27 de maio de 1932.

Meus jovens colegas da Liga Paulista Pró Constituinte.

A 24 do mês passado, quando saia do Teatro Municipal após a conferência, que acabava de realizar a convite vosso, e via-me cercado por todos vós e grande multidão de meus conterrâneos, levantei um viva a São Paulo livre, correspondido e repetido com formidável emoção. Eu me dirigi, nesse momento aos estudantes, cujo convívio me é sempre tão agradável e cativante pela sinceridade das expressões com que se manifestam, e lhes disse energicamente que desejava, que queria mesmo, que eles conservassem na alma e no coração, os sentimentos nobilíssimos de patriotismo e de amor ao grande Estado onde nasceram e estão concluindo a educação para lutar e vencer na vida, e que tivessem a coragem de manifestar e até afirmar esses mesmos sentimentos. E acrescentei que voltaria para o meio de vós, verificando se deverás, fostes dignos de vós, das vossas famílias, da terra adorável que vos cobriu de benção e carinhos os berços em que vos embalastes.

Aqui nestas linhas preciso expandir a minha satisfação e o mais justo orgulho. Se ainda me não foi dado efetivar aquela verificação, pessoalmente voltando ao vosso grêmio, quero declarar de ânimo comovido, que reconheço haverdes conservado acesos os crisões de tão elevados sentimentos que são os vossos corações juvenis. Mas quero também vos dizer, com sinceridade e admiração que deveis estar vigilantes, prosseguindo no propósito de lutar, heroicamente, como tendes feito, pela Constituição por São Paulo; porque muitos e muitos perigos cercam as vitórias conseguidas por vós, com esforço, constância, abnegação e até com sangue – com o generoso sangue dos meus caros estudantes que, como o dos mártires há de redimir os erros do presente e fecundar o coração paulista e brasileiro para a mais vigorosa germinação dos verdadeiros sentimentos de amor a Pátria consubstanciados na ordem legal, na conquista pacifica, generosa e forte dos estados gloriosos no curso infinito do progresso humano.

Nestas palavras vão as expressões da minha admiração e os mui sinceros cumprimentos do velho colega e amigo – Paulo Maria de Lacerda

 

Esta carta foi publicada no Jornal Folha da Manhã no dia 2 de junho de 1932.

 

Folha da Manhã, 02/06/1932




CLUBE 24 DE FEVEREIRO

Associação fundada em 16 de fevereiro de 1932 no Rio de Janeiro, na sede do Clube de Engenharia, com a finalidade de “incrementar a campanha cívica em prol da volta do país ao regime constitucional”. Sua denominação foi uma homenagem ao dia da promulgação da primeira Constituição republicana, em 1891.

O Clube 24 de Fevereiro foi criado num período de grande agitação política, quando setores de oposição a Getúlio Vargas intensificaram suas pressões no sentido da reconstitucionalização do país. Em São Paulo, em fevereiro de 1932, foi fundada a Frente Única Paulista (FUP), coligação política formada pelo Partido Democrático, pela “ala moça” do Partido Republicano Paulista e pela Liga de Defesa Paulista. No Rio Grande do Sul, a Frente Única Gaúcha (FUG), fundada em 1928, também participou do movimento em favor da reconstitucionalização.

A primeira diretoria do Clube 24 de Fevereiro, escolhida no dia de sua fundação, era constituída pelo general Lauro Sodré, ex-constituinte em 1891, que ocupou a presidência; Paulo Lacerda e Nestor Massena, indicados respectivamente para a vice-presidência e para a secretaria geral, e os tenentes Adacto Pereira de Melo e Luís Albernaz (este último da Marinha), eleito primeiro e segundo-secretários, respectivamente. Luís Ferreira Guimarães e A. B. Machado Florence foram designados para as diretorias de serviços internos e de serviços externos. Entre os membros do clube figuravam o tenente Agildo Barata e José Eduardo de Macedo Soares, proprietário do Diário Carioca.

As medidas punitivas contra o clube se acentuaram no final de fevereiro, quando o capitão Floriano Keller e o tenente Adacto Pereira de Melo foram impedidos de se matricular na Escola de Estado-Maior. Esses dois oficiais e o tenente Flodoaldo Maia, que também era integrante do clube, foram transferidos do Rio, sendo deslocados para guarnições distantes.

A repressão ao Clube 24 de Fevereiro foi uma das causas do pedido de demissão, datado de 3 de março de 1932, do ministro do Trabalho Lindolfo Collor. Em carta a Vargas, Collor criticou, entre outros pontos, o ministro da Guerra, general José Fernandes Leite de Castro, por este ter autorizado a transferência dos oficiais ligados ao clube.

O clube foi dissolvido pela polícia de Vargas no decorrer de 1932.

 

LIGA PAULISTA PRÓ CONSTITUINTE

Organização política criada em fevereiro de 1932 pelos acadêmicos da Faculdade de Direito de São Paulo, sob a liderança de Roberto Vítor Cordeiro. Desapareceu após a rendição das forças constitucionalistas, ocorrida em 2 de outubro de 1932.

Tendo por quartel-general o “velho casarão das Arcadas”, ou seja, o prédio da Faculdade de Direito, situado na praça cívica em que se transformara o largo de São Francisco na capital paulista, a liga foi criada como o “órgão da mocidade independente”, com o propósito de trabalhar pela arregimentação da juventude, organizando-a em batalhões civis militarmente treinados para participar da luta armada que se aproximava.

Através de inúmeros boletins e proclamações, largamente distribuídos na cidade, a liga conclamava os paulistas ligados à causa constitucionalista a comparecerem à sua sede, onde se alistariam no exército civil e receberiam armas. Confiantes na justeza de sua causa, grupos de estudantes distribuíam também panfletos e afixavam cartazes divulgando suas palavras de ordem: “Paulistas: a Liga Paulista Pró-Constituinte concita a juventude ao cumprimento do dever indeclinável de cerrar fileiras em torno do movimento de redenção nacional que ora se inicia.” Os jovens apelavam ainda para que as “mães paulistas” autorizassem seus filhos a se empenhar na defesa da “honra de São Paulo”.

A ação da liga durante a Revolução de 1932 foi intensa. O entusiasmo e a combatividade que uniram os estudantes a ela filiados, identificando-os com os demais agrupamentos políticos empenhados no movimento constitucionalista, não foi capaz de resistir, entretanto, à força militar do governo federal. Após quase três meses de luta armada, São Paulo acabou derrotado.

Com o término da revolução, a maioria das organizações criadas principalmente para alistar os civis paulistas se dissolveu.

 

Jovens da Liga Paulista em manifestação em São Paulo.




Monumento na Faculdade de Direito, no Largo de São Francisco, São Paulo
 em homenagem aos acadêmicos que morreram durante a revolução de 1932




"A Cabeça", representa o estudante morto na Revolução de 1932,
em bronze, esculpida por Adriana Janacopolis.



Fonte.

Jornal Folha da Manhã, 2 de junho de 1932, acesso 02 de jun.de 2021.

http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-tematico/clube-24-de-fevereiro

http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-tematico/liga-paulista-pro-constituinte

http://blogdodelmanto.blogspot.com/

 

Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.


sábado, 22 de maio de 2021

23 de MAIO - DIA DA JUVENTUDE CONSTITUCIONALISTA.

 


O Portal Trincheiras de Jaguariúna dedica esta homenagem aos jovens Soldados Constitucionalistas pela coragem e o exemplo de civismo e patriotismo.

 


A grandiosa passeata em São Paulo no dia 23 de maio de 1932.



Os comícios foram eloquentes.



A única fotografia que identifica os quatro jovens
que morreram naquele 23 de Maio de 1932.


Imagens dos sepultamentos dos quatro que foram feridos
 durante a passeata de 23 de maio de 1932.


23 de Maio passou a ser a data consagrada à Juventude Constitucionalista e ao Soldado Constitucionalista em memória aos quatro heróis que morreram nesta data em 1932, em um confronto com a polícia repressiva governista.  Os manifestantes seguiam em passeata pelas ruas centrais de São Paulo, em manifestação contrária à ditadura do governo de Getúlio Vargas e nas imediações da Praça da República tombaram alvejados os heróis Mario Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Souza e Antônio Camargo de Andrade. As iniciais dos nomes dos quatro heróis, MMDC, passou a ser o símbolo da Revolução de 1932.

A morte destes quatro paulistas foi o estopim da revolta do povo paulista contra o governo e a favor de uma Constituição.

A lei 12.430, de 20 de junho de 2011, inscreveu os nomes de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, Heróis Paulistas da Revolução Constitucionalista de 1932, no Livro dos Heróis da Pátria.

 


OS MORTOS DE SÃO PAULO SERÃO SEMPRE LEMBRADOS.

Nos Campos Santos da grande terra bandeirante inúmeras são as sepulturas cujas lápides sintetizam em palavras cheias de ternura a história emocionante dos que tombaram em defesa da Lei. E hoje, mais do que nunca, temos de nos curvar, humildes e respeitosos, diante do monumento que os perpetuou, pois a nossa Pátria, graças a eles, caminha livre e forte para um futuro risonho e feliz. Que as suas almas repousem na paz do Senhor.



Salgado e Marciliano as duas primeiras vitimas
 receberam as homenagens merecidas pelo povo paulista.



A Bandeira Brasileira recobre o caixão de um herói paulista
morto em batalha pela Liberdade.


 

Os círios iluminam o símbolo dos heróis chacinados pelos inimigos da Pátria.




E O OBJETIVO FOI ALCANÇADO.


Porque São Paulo lutou? Com intuitos separatistas? Apenas pelo desejo de ver derramado nos campos de Piratininga o sangue de seus filhos e de seus irmãos?

Não! São Paulo lutou por uma causa nobre, para que nossos filhos e netos continuem a espirar o ar benfazejo da liberdade e do respeito aos direitos do homem. A derrota pelas armas se constituiu, pouco tempo depois, numa vitória estrondosa, em que as aspirações do povo livre do Brasil foram satisfeitas, mesmo a contragosto daqueles que, colocando sua comodidade acima dos sagrados interesses da coletividade, pensavam em se perpetuar no poder, indiferentes a tudo e a todos. A Constituinte de 1934, mesmo falha e feita de afogadilho, foi uma resultante da luta cruenta que tantas lágrimas provocou da mulher brasileira. E hoje, decorrido um quarto de século, quando os espíritos conturbados de políticos egoístas procuram solapar as instituições democráticas, o exemplo de São Paulo aí está a chama-los à razão.



Valdemar Ferreira, Aureliano Leite, Paulo Duarte, Ibraim Nobre
e outros, no navio que os levou ao desterro.




Depois da luta o exílio!
A grande Vitória a Constituinte!



Personalidades que participaram da Constituinte de 1934.




Na imagem destaque para o
 Almirante Protógenes Guimarães e o General Góis Monteiro.


Os textos, acima, são transcrições da Revista O Mundo Ilustrado, dedicado aos Heróis da Revolução Constitucionalista de 1932, publicados em 1957.



Fonte.

Revista O Mundo Ilustrado, nº 28, 10 de jul. de 1957 (coleção pessoal).

https://www.migalhas.com.br/quentes/345843/mmdca-o-assassinato-de-jovens-paulistas-pelo-estado-em-23-de-maio

https://www.al.sp.gov.br/noticia/?id=328041

 

Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.


sábado, 8 de maio de 2021

HOMENAGEM ÀS MÃES.

 






- Porque estás sorrindo, Mamãe?

- Porque estou sempre alegre, meu filho...

Não Mamãe agora, em teus olhos, li, juntamente com a tua alegria costumeira alguma coisa mais...Dize, dize porque estas sorrindo assim?

- Já que insistes, verás que esta alegria é muito justa... Nós, paulistas, temos por costume pensar constantemente em nosso Estado querido, na sua grandeza sempre crescente, na índole briosa e boa do seu povo, ao mesmo tempo despida de preconceitos e de mesquinharias; por isso pensava eu, neste momento, em como é bom ser paulista e aqui viver neste ambiente tão agradável de bondade e tolerância... E, sorrindo mentalmente, dizia: paulista por mercê de Deus... Vês que tinha razão... Depois, essa alegria se misturou com um pouco de tristeza; pensava nos que morreram e que não verão, nem gozarão mais esta felicidade! Caíram por São Paulo e foram felizes por oferecer-lhes a coisa mais preciosa que tinham.

Com que orgulho, meu amor, eu me lembro também, quando, sendo tu ainda uma criança e convalescente de duas operações, te vi entrar em casa, depois de quinze dias de guarda no cais, correndo em alegria louca, com a tua farda caqui, dizendo-me, cheio de ventura, que te inundava todo:

- Vou seguir agora Mamãe! Incorporei-me ao 8º B.C.R., e partiremos imediatamente... Mal tenho tempo para te dar um beijo, mãe querida...

- Eu te juro meu filho, que nunca me senti tão feliz como naquele momento, orgulhosa de ter um filho que tão bem compreendia o brio e a dignidade!

Naquele instante, elevando o meu pensamento a Deus, entreguei ao meu São Paulo nosso caçula, o mimo e o encanto da nossa casa, achando justa a nossa oferta de pais extremosos... E um grande orgulho, que chegava dar a sensação de mais felicidade, encheu-me o coração, vendo-te sair alegre e expansivo como nunca te vira antes. – E todo o mês que lá estiveste nas trincheiras não tive a menor tristeza... Se te perdesse, essa perda seria atenuada pela beleza do teu gesto, pela nossa gloriosa causa e pela satisfação com que partistes para te reunir aos teus irmão pelo sangue e pelo coração...

E agora, com que afinco vamos todos dedicar-nos a construir em São Paulo o monumento que será erguido aos que se sacrificaram por ele e a todos os que por ele se bateram tão nobremente!

Verás como ricos e pobres acorreram, tal como na Campanha do Ouro, única na história de todos os povos, ansiosos por trazerem a sua contribuição, para que possamos um dia olhar, com saudade e gratidão, esse monumento que, para embora imponente e majestoso, incompletamente dirá do amor profundo que todos nós sentimos pelo nosso adorável São Paulo!

 

Texto de Maria Isabel Silveira, publicado no livro Cruzes Paulistas, OS QUE TOMBARAM, EM 1932, PELA GLÓRIA DE SERVIR SÃO PAULO, em 1936.

 



                            https://mamamiaamamentar.wordpress.com


O Portal Trincheiras de Jaguariúna deseja um feliz dia à todas Mães !!!!!!




Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo


sexta-feira, 7 de maio de 2021

DEPOIMENTO DO GENERAL BERTOLDO KLINGER.

 


SÃO PAULO RELEMBRA...OMBRO, ARMAS!


VINTE E CINCO ANOS DEPOIS

FALA O GENERAL KLINGER.


A CHEFIA Militar da Revolução Constitucionalista de 1932 coube ao brilhante General Bertoldo Klinger, então Comandante da Região Militar de Mato Grosso. O seu testemunho é, pois, valiosíssimo. Aliás, no magnifico livro que escreveu no exílio e que tem o grande título de Em Continência à Lei, o ilustre cabo de guerra, em detalhes, conta o que foi a Revolução de São Paulo. Nas suas “impressões sintéticas”, em certo trecho, diz o General: Como General e como Comandante da Região, a chamada Circunscrição Militar, de Mato Grosso, entendi, pessoalmente, que não devia calar-me diante da ousada provocação que os governistas lançaram à opinião pública e, particularmente, ao Exército.

Em oficio que dirigi ao nosso ministro, tomei posição em face de semelhante escárnio. Fazendo-o, sabia que não me poderia surpreender se o governo, que acabava de aplicar a um capitão insultador de um General uma punição pró forma, de oito dias de prisão com louvor, fosse mais atrevido para aplicar a mais severa possível a um General que, com sobejas razões, polidamente, dizia verdades, duras, mas puras, a outro General.

Como se sabe, o ofício foi enviado e sobre o General Klinger desencadearam-se as iras dos dominadores do País. Klinger foi apoiado pelos seus amigos de São Paulo e a Revolução foi deflagrada.

Agora é o próprio General que conta ao repórter os fatos por muitos desconhecidos. A estupenda mobilização industrial não foi suficiente para a fabricação de fuzis e aviões. Entretanto, o entusiasmo e a dedicação do paulista em geral, sem exceção, supriram as deficiências naturais e através de um esforço hercúleo, a produção de material de guerra acabou por vir a satisfazer as necessidades, suplantando, em muito, o número de combatentes.

 

DIA FATÍDICO.

Foi num sábado, à tarde, que a Revolução estourou. É o General Klinger que depõe: No dia 16 houve um incêndio num dos quartéis da Força Pública, em São Paulo, precisamente aquele em que funcionava o seu comando superior. Atribuiu-se o sinistro à explosão acidental de uma das bombas ditatoriais, ali recolhidas, que haviam sido lançadas por aviões no Campo de Marte, que era o nosso aeroporto. Houve dois mortos e o incêndio foi de tal monta que forçou a mudança do Comando Geral para um prédio adrede requisitado, na cidade.

No sábado, 23, sucedeu em Santo Amaro uma experiência de munição para morteiros, o arrebentamento de uma bomba na alma, causando os estilhaços do tubo a morte instantânea do Coronel Júlio Marcondes, Comandante da Força Pública. Horas mais tarde falecia o Capitão José Marcelino da Fonseca. Nesse acidente também ficaram feridos o Coronel Salvador Maya, e os Tenentes João Saraiva e Pedro Celestino e eu. Esses lamentáveis episódios acabaram por nos levar à crendice de que os sábados nos seriam fatídicos.

 

MOBILIZAÇÃO.

Uma pausa para o cafezinho, e continua o General Klinger:

A mobilização se processou rapidamente. Primeiro dos espíritos e logo concretizada na dos homens Isto antes da guerra e alimentada pela imprensa e sistematizada pela Liga da Defesa Paulista e, desde 23 de Maio pelo M.M.D.C., espécie de departamento especializado daquela, incumbido do aliciamento de combatentes. Assim, quando se de flagrou o movimento, a mobilização já estava iniciada.

O importante de tudo é o fato de entidades reconhecidamente pacificas e pacifistas terem participado ativamente no movimento. Dentre outras, destacamos a Associação Comercial de São Paulo, a Federação das Indústrias, o Departamento Nacional do Café, o Instituto de Engenharia e a Escola Politécnica, a Cruz Vermelha, as Companhias de Estradas de Ferro, a Liga das Senhoras Católicas, Federação Internacional Feminina e a Associação Cristã dos Moços.

Dizer-se do trabalho grandioso dessas entidades seria fastidioso, pois a Nação dele está inteirada.

 

M.M.D.C.

Martins, Miragaia, Drausio e Camargo foram as primeiras vítimas a tombar pela causa. Foram eliminados no dia 23 de Maio de 1932 pelos esbirros da Ditadura. A sigla M.M.D.C. é, pois, o símbolo do sacrifício, do amor dos paulistas aos postulados democráticos e da repulsa aos chamados governos fortes.

Fizemos esta interrupção no depoimento do General Klinger para esclarecer a muitos o significado do símbolo querido e respeitado, hoje perpetuado na capital paulista num belo monumento.

 

AS OPERAÇÕES.

Pedimos ao General Klinger que nos sintetizasse a guerra propriamente dita. Os combates, as retiradas, os bombardeios, enfim, tudo que se relacionasse com a memorável campanha. E o General nos satisfez. O seu relato foi impressionante e somente a absoluta falta de espaço nos impede de reproduzi-la, na íntegra.

Quando assumi o comando militar constitucionalista na capital bandeirante, por volta de meio dia de 12 de julho de 1932, portanto três dias após a eclosão do movimento, a situação geral se apresentava nebulosa, em contraste com as magnificas condições de nossa situação interna, em São Paulo e em Mato Grosso. Os boatos eram os mais contraditórios e de positivo, de concreto, nada sabíamos.

Mas a ação se fazia sentir. O tempo era fator preponderante e a situação se agravava. As unidades da 2ª Divisão de Infantaria estavam concentradas no Vale do Paraíba até Cruzeiro. Reforçavam-na alguns elementos da Força Pública e a cargo desta estavam as fronteiras de São Paulo. Não havia, porém, qualquer plano – ou missão, a não ser a de vigilância. Faziam parte do meu comando geral os civis Moacir Barbosa Ferraz, Joaquim Celidônio Filho, Paulo Duarte, Virginio Benevenuto, Otacílio Piedade e Edgar Batista Teixeira.

Chamei Taborda e entreguei-lhe o comando de Itapetininga. Daí por diante o valor dos combatentes se fez sentir. Brigamos, brigamos muito. Embora esperançosos, sabíamos das mais difíceis a nossa empreitada. Tudo nos faltava. Armas, munições e homens cada vez escasseavam mais. Mas persistimos na luta, sempre esperando a adesão do Rio Grande do Sul, que pela palavra do seu então interventor, o General Flores da Cunha, comprometera-se a lutar pela causa. Infelizmente, porém, o que por nós era considerado com um reforço indispensável, acabou-se transformando em fator adverso, ao engrossar as fileiras da Ditadura. Mas mesmo assim continuamos a lutar, até que nossas forças exauriram e, então, tivemos de capitular. Calmos, porém de pé, com a cabeça erguida e honradamente. E hoje, mais do que nunca, nos felicitamos por termos brigados contra a Ditadura opressora e odiosa.

 

DERROCADA EM SÃO PAULO.

Em meados de setembro, as nossas frentes no Vale do Paraíba e em Campinas estavam em crise aguda; apenas um pouco menos má era a situação na frente paranaense. Na primeira consumar-se-ia o largo lance para a linha que, com grande antecedência, o supremo comando fizera preparar em Guaratinguetá – lance de execução tardia, em que pese a tenacidade da resistência antes sustentada. Como consequência, tivemos de nos retrair da Frente de Cunha. Por ocasião recuara a defesa da Frente do Túnel, que há muito estava com seus dias contados. Em resumo, o último ato do drama se nos apresentava de forma implacável.

Quando, na manhã de 28, com dois oficiais do meu Comando Geral, fui aos Campos Elísios, para audiência previamente solicitada, para assunto urgente, e com o pedido de que fosse presente o Dr. Waldemar Ferreira, então comuniquei ao governo, conforme prometera ao Dr. Pedro Toledo, na última visita que me fizera no Q.G., que era chegada a hora do supremo comando militar propor ao adversário armistício. Respondeu-se Sua Excelência: Era o que tínhamos a fazer: já estavam tratando disso à nossa revelia. E esclareceu que na noite anterior fora informado de que o comando da Força Pública estava em entendimento clandestino com o General Góis Monteiro.

 

FIM DA LUTA.

E termina o General Klinger o seu rápido, mas histórico depoimento:

No dia 1º de outubro, desde que se evidenciou que a guerra estava terminada, informei aos meus camaradas e aos civis que a minha intenção era ficar à mercê de vencedor e que os liberava par que cada um agisse como julgasse melhor, Em minha companhia ficou até a última hora o Dr. Benevenuto, que comigo se entregou. O resto, meu amigo, o senhor já sabe. Exílio, reforma e perseguições de toda sorte, foram o prêmio que recebi por ter lutado por um ideal sadio e patriótico.

 


Adesão e alistamento rápidos.













A partida de São Paulo para o front.
















          Esta é a transcrição do depoimento prestado pelo General Bertoldo Klinger à Revista O Mundo Ilustrado, foi publicado no dia 10 de julho de 1957, as imagens, digitalizadas e editadas, são as que foram publicadas com o texto.





 Bertoldo Ritter Klinger - nasceu no Rio Grande, RS em 1º de janeiro de 1884, filho de Antônio Klinger e de Suzana Ritter Klinger, ambos descendentes de alemães que migraram para o Brasil. Foi um general de divisão do Exército Brasileiro e comandante na Revolução Constitucionalista de 1932. Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 31 de janeiro de 1969, sendo sepultado no cemitério Inhaúma. Foi casado com Leopoldina de Almeida Klinger com quem teve seis filhos.

 

 

Fonte.

Revista O Mundo Ilustrado, Nº 28 de 10 de Julho de 1957, arquivo pessoal.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Bertoldo_Klinger

 

Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.


ANIVERSÁRIO DO PORTAL “TRINCHEIRAS DE JAGUARIÚNA”!

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