domingo, 18 de outubro de 2020

VOLUNTÁRIO CLEMENTE PEREIRA.

 

Neste texto, escrito por Marcelo de Campos Pereira, filho do Voluntário Clemente Pereira, ele relata a participação de seu pai na Revolução Constitucionalista de 1932 e também da sua família, que teve participação na retaguarda.





HISTÓRIA DA FORMAÇÃO ESCOLAR DE UM CIENTISTA NUM PERÍODO DE TRANSIÇÃO DA CIÊNCIA BRASILEIRA, título e trecho pertinente à sua participação na Revolução de 32, da entrevista concedida por meu pai, Clemente Pereira, ao jornal Folha da Manhã, em 11/01/1953.






O cientista, como cidadão que é, não pode deixar de ter atitude política; do contrário, transformar-se-ia em mero parasito da sociedade. Em 1932, ao saber, pelos jornais, dos intuitos da Revolução Constitucionalista, não tive a menor dúvida em trocar o microscópio pelo fuzil, no Batalhão Fernão Dias Paes Leme  (em Cruzeiro, a assim denominada "Capital da Revolução"), para tentar devolver a liberdade à nossa terra (o Batalhão Paes Leme, sob o comando do Major Antonio Pietscher, que atuou por todo o Setor Leste, inclusive nas batalhas de Eleutério e Gravi, é considerado um reduto de heróis, um dos que cobriram a Bandeira das Treze Listas de glórias no ano de 1932).

Para quem não sabe, os primeiros batalhões paulistas que seguiram para o "Setor Leste" ou a "Frente Leste", tiveram seu "batismo de fogo" já na primeira semana de guerra. Segundo relatos historiográficos, os conflitos ocorridos naquela região foram os mais longos e violentos, tornando as imagens relativas a essa frente de batalha umas das mais representativas da Revolução Constitucionalista de 1932. O Batalhão Fernão Dias, formado por voluntários e organizado pelo Dr. Fernão Salles, havia entrado em Ouro Fino - MG sob o comando do capitão Antônio Pietscher, o grande herói do Setor Leste, cantado em prosa e verso e assíduo frequentador da casa de meus avós, na Rego Freitas, número 35.

PAULISTAS ÀS ARMAS!!!!!!!!!!!













Em 1932 toda minha família engajou-se, pela defesa dos ideais constitucionalistas e de nosso Estado. Infelizmente, hoje, falta idealismo no país, um sentimento que poderia nos levar a pensar no coletivo em primeiro lugar. Lamentavelmente, prevalece entre nós um equivocado espírito de salve-se-quem-puder. Uma atitude que nos faz considerar fora de moda valores como patriotismo e nacionalismo, sempre necessários e sadios, desde que não confundidos com ufanismo, e essenciais para a união de qualquer país em torno de objetivos comuns, seja na guerra, seja na paz.

Na ocasião, meus pais estavam noivos. Minha família materna é de Jundiaí e, em 32, minha mãe, a mais velha de seis irmãos, lá residia com eles e meus avós. Em julho, ao ser deflagrado o conflito, meu pai, que morava em São Paulo (no antigo Viaduto do Chá), partiu para a cidade de Cruzeiro, onde permaneceu até o término da Revolução, em outubro. Minha mãe, em Jundiaí, juntamente com as mulheres da sociedade local, ajudava na confecção dos uniformes e dos agasalhos. Um dos irmãos da minha mãe, Moacyr Santos de Campos, então com 18 anos, partiu para a frente de combate, sem titubear. Meu avô, João Firmino de Campos, farmacêutico em Jundiaí e Chefe das Farmácias da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, foi Presidente da Casa do Soldado, visitando constantemente as frentes de combate, levando correspondência, medicamentos, agasalhos, cigarros, alimentos, enfim, sempre procurando levantar a moral dos soldados através de sua palavra, espiritualista convicto que era, além de ter pertencido aos mais altos escalões da Maçonaria. Um dos irmãos mais novos do meu pai, João Pereira Júnior, com 20 anos e no segundo ano de Medicina, segue para o front, sob as bênçãos dos meus avós. Outro irmão, Rodovalho Pereira, então com 16 anos, ficou para cuidar da mãe e da irmã, pois meu avô viajava com frequência.

Meu pai, recém-formado em Medicina - mais uma vez destaco o trecho de sua entrevista -, não teve a menor dúvida em trocar o microscópio pelo fuzil, no Batalhão Fernão Dias, para tentar devolver a liberdade à nossa terra. Na penúltima fotografia, meu pai, Clemente Pereira, em Cruzeiro, é o único de poncho. Esse Batalhão, sob o comando do Major Antonio Pietscher, que atuou em todo Setor Leste, inclusive nas batalhas de Eleutério e de Gravi, é considerado um reduto de heróis, atuando como ponta de lança contra as forças federais getulistas do Rio de Janeiro. A formação médica do meu pai permitiu que inúmeras vidas fossem salvas e, quando necessário foi, empunhou suas armas. Hoje é considerado um dos heróis de 32, fazendo jus à homenagem prestada pela Prefeitura de São Paulo junto ao túmulo familiar, no Cemitério da Consolação, preservada, tanto através da tag QR CODE como pela placa de identificação. Como dizia Albert Szent-Gyorgyi (1893 - 1986), Prêmio Nobel de Medicina de 1937: Se quisermos olhar e enxergar à frente, devemos olhar para trás.





Textualmente, em carta dirigida à sua irmã Alice, ao relatar esse fato, diz: Já passei a primeiro sargento 'por ato de braveza', mas sem fazer nada de especial. Em situações de alto risco à sua própria integridade, sua imensa e patente modéstia ficou registrada. Em correspondência à minha avó, relatou que tinha sido promovido por atos de heroísmo...e que recusou a honraria por achar que apenas cumpria sua obrigação de paulista...geração de têmpera forjada em aço.

Tradições democráticas de São Paulo, que foi grande porque sempre quis que o Brasil fosse grande... De Mogi a Cruzeiro, no Túnel, em Silveira e em todas as frentes de combate, o paulista, lutando contra todas as vicissitudes, contava apenas com o apoio material restrito que lhe era fornecido e também com o formidável apoio moral que lhe deu o povo bandeirante. Essa singela e emocionante carta, valiosa relíquia de 32, retrata o apoio de um funcionário do Instituto Biológico de São Paulo, Jayme Ferraz, aos seus amigos, por acaso seus chefes no Instituto, meu pai, Clemente Pereira e o futuro idealizador da UNICAMP e da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Zeferino Vaz, que participavam como médicos voluntários no Batalhão Fernão Dias Paes Leme, em Cruzeiro. Suas palavras retratam a preocupação para com seus amigos e o ardoroso clima de patriotismo vigente. Paulistas, antes de tudo.

Em razão da convulsão social, os correios funcionavam precariamente. Meus pais trocaram extensa correspondência, boa parte perdida sabe-se Deus onde. Hoje faço questão de divulgar uma das cartas. Muito mais do que algo estritamente pessoal, hoje, após 86 anos, as mensagens tornaram-se parte da história do Estado de São Paulo e, por extensão, do Brasil. Mostram o clima de ansiedade, de preocupação e de intenso patriotismo vivido por um casal apaixonado, em tempos de guerra. Espelha o retrato de uma época, num determinado e decisivo momento. A belíssima e inconfundível caligrafia da minha mãe, a delicadeza das colocações, a demonstração do amor maior vivenciado pelo jovem casal, tudo isso integra o patrimônio dos paulistas e dos brasileiros. Que frutifique sempre o exemplo deixado por eles. Que o espírito de 32 inspire os jovens de hoje!!!



























 Na foto, a placa que era colocada no batente da porta de entrada das casas dos constitucionalistas (no caso, na casa dos meus avós, em Jundiaí) e o "pin" usado na lapela do paletó (um dos modelos). 




Ao som da marcha Paris-Belfort foi noticiado o falecimento dos quatro primeiros heróis constitucionalistas: Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo (MMDC). Durante todo o período da Revolução Constitucionalista, no horário das 2 às 4 horas da madrugada, notícias sobre o desenvolvimento da revolução e mensagens de civismo, com aclamação do espírito patriota conseguiam contornar a censura de Vargas e chegar aos lares paulistas.

 

 




 Capacete, o Diploma e Medalha  de Participação da
Revolução de 1932 de Clemente Pereira








Clemente no Viaduto do Chá, São Paulo, SP.







Rodovalho Pereira.


Publicado, texto e fotografias, com autorização do autor – Marcelo de Campos Pereira.

 

Editado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.


terça-feira, 13 de outubro de 2020

IBIRAPUERA – PANTEON DE HERÓIS.

 

No dia 10 de Julho de 1958, o jornal A Gazeta estampa, na primeira página, uma grande fotografia, mostrando os participantes da cerimônia em homenagem aos Heróis de 1932, realizada no dia anterior. 





Com a seguinte legenda:

O 9 de Julho, data sagrada, vive no coração dos paulistas e 26 anos depois da epopéia que marcou o gesto de dignidade da gente bandeirante, com o mesmo fervor dos primeiros instantes, os fiéis continuam a prestar, aos que se partiram, levados nas asas da glória, a homenagem da sua gratidão que não morre e da sua saudade sempre renovada. Ano após ano, e um punhado de cada vez, os mortos imortais são levados para o Monumento do Ibirapuera. Eles que lutaram em todas as trincheiras ali são reunidos no grande recinto que o povo lhes construiu...

Na imagem foi mostrada uma visão geral do instante que se procedia a chamada dos nomes daqueles que deviam recolher ao cenotáfio os restos mortais dos heróis chamados este ano. Aparecem as urnas e os fiéis, os que sabem guardar, no amor à terra, os que lidaram, por ela, no amor à liberdade!

 


Desfilam os veteranos. Cerca de dois mil veteranos, no maior desfile já realizado pela Associação dos Veteranos de 1932, homenagearam seus irmãos de armas tombados nos campos de batalha pela constitucionalização do país, regando com seu sangue generoso uma das mais belas páginas da história de São Paulo. Cabeças erguidas, olhar altivo, coração batendo firme, postaram as continências de estilo àqueles que descansam no Monumento Mausoléu, do Ibirapuera.

 

 





Legenda da Missa na Catedral Metropolitana-

 

Ás 8 horas de ontem, na Catedral Metropolitana, foi rezada a missa por intenção dos combatentes que tombaram nos campos de batalha de 1932, na presença das mais altas autoridades do nosso mundo governamental e social, além de veteranos ex-combatentes e grande massa de público. O oficio religioso foi realizado pelo Padre Luiz de Abreu ausência forçada de Dom Paulo Rolim Loureiro, bispo auxiliar de São Paulo, cognominado justamente o “Bispo da Tradição”. A cerimônia religiosa foi mandada celebrar pela Associação dos Veteranos de 1932, M.M.D.C., e pelo Clube de Piratininga. Participou o Governador Jânio Quadros e o Brigadeiro Armando Ararigboia.

 








Legenda da foto

São Paulo todo reverenciou, com presença de seus representantes mais lídimos a memória dos heróis que tombaram nos campos de batalha, em defesa da Constituição de 32. A Missa, foi mandada celebrar, na Catedral Metropolitana, pela Associação dos Veteranos de 1932 – MMDC e pelo Clube de Piratininga, às 8 horas de ontem. Na escadaria, um Batalhão de Guarda da Força Publica, em uniforme de gala, prestou as homenagens aos heróis com três salvas de fuzil. Dois mil voluntários assistiram o Réquiem em intenção da alma daqueles Soldados da Lei que tombaram em defesa da nossa Liberdade. Na imagem, as solenidades em frente à Catedral, momentos antes das urnas serem transladadas para o Monumento Mausoléu no Ibirapuera.

 











São Paulo não esquece seus Heróis!

Alta lição de civismo fez vibrar a Capital Paulistana.

São Paulo vibrou ontem, desde as primeiras horas da manhã, com o toque da alvorada, às 7:30 horas no Largo São Francisco, organizada pela Associação dos Veteranos de 1932, MMDC, comemorando o 26º Aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932, a epopéia paulista pela Liberdade e que marcou época em nossa história pátria, pelo desprendimento de seus filhos pela luta em prol da constitucionalização do Brasil. O povo de São Paulo demonstrou, em soberba festividade cívica, que seus combatentes, caídos em campo de batalha, não deram em vão suas vidas pela causa da Lei.

O interior paulista também se associou a essas homenagens, rendendo tributo de saudade e respeito àqueles que se sacrificaram para que a dignidade, a honra, a liberdade de pensamentos fossem defendidas mesmo com o seu generoso sangue derramado.

Na cerimônia pudemos notar a presença do Governador do Estado, Jânio Quadros; o Prefeito da Capital, Adhemar de Barros; Comandante do II Exército, General Porfirio da Paz; Comandante da Força Aérea, Brigadeiro Armando Arargboia; General Nestor Penha Brasil, Comandante a 2ª Divisão de Infantaria, demais autoridades civis e vários do Clube Piratininga e da Associação dos Veteranos de 1932 – M.M.D.C., veteranos ex-combatentes tombados em campo de batalha, e que seriam transladados para o Mausoléu do Ibirapuera:

Coronel Romão Gomes – Força Pública

Capitão Sylvio Fleming – Exército

Voluntário José Vicente Ferreira

Major José Marcelino da Fonseca

Tenente Francisco de Paula Pacheco Colli – C.P.O.R.

Engenheiro Lauro de Barros Penteado

Major Aviador Ismael Torres Guilherme Cristiano – Força Pública

Voluntário Ary Cajado de Oliveira – 2º R.C.D. do Exército

Voluntário José da Costa Junior

Orlando de Oliveira Alvarenga

Voluntário Rubens Fraga de Toledo Arruda

 

As legendas são as originais publicadas no jornal.

 

Fonte.

Jornal “A Gazeta”, 10 de jul.de 1958 (Coleção pessoal).

 

 

Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

DIA DA CESSAÇÃO DAS HOSTILIDADES.

 


No dia 2 de outubro de 1932 foi assinado um acordo, entre os Chefes Militares e Governo, encerrando-se a luta armada.

O acordo militar não foi assinado por todos os chefes militares constitucionalistas, uma vez que a intenção de suspender as hostilidades não fora previamente discutida e aprovada. Fora iniciativa do General Klinger, que enviara seus representantes ao General Góes Monteiro.

88 anos se passaram, daquele dia, mas a Revolução Constitucionalista mantem-se viva no coração da gente bandeirante. Uma lição e um exemplo de coragem cívica de quanto é capaz a reação de um povo afrontado nos seus ideais democráticos.

 


A ilustração é a representação do povo paulista.





O telegrama informando a Cessação das Hostilidades.


Carta do Cel. Euclydes de Figueiredo e Gen. de Brig. Bertholdo Klinger:

 

Ao Sr. Dr. Getúlio Vargas

Chefe do Governo Provisório do Brasil

Nós, os signatários desta, no caráter de Chefes Militares e organizadores do Movimento Constitucionalista deflagrado em São Paulo a 9 de Julho último, com repercussão em Mato Grosso, vimos perante V. Exa. e demais autoridades da República às quais o caso afete, declarar que assumimos a plena e exclusiva responsabilidade por todos os acontecimentos constitutivos daquele movimento armado e dele decorrentes. Esta nossa declaração formal foi até hoje retardada porque, para faze-la estávamos aguardando a oportunidade que nos seria proporcionada quando fossemos a depor sobre os fatos em causa; como, porém, esta ocasião não mais se dará e com isto estejam sofrendo os militares e civis que cumpriram nossas ordens, se nos impôs este recurso. Fica esclarecido, assim, que visamos com a presente declaração exonerar inteiramente a corresponsabilidade no dito movimento constitucionalista a esses referidos militares e civis que seguiram a nossa orientação e atenderam às nossas determinações. Mas, além deste objetivo imediato e expresso, visamos também oferecer ao Governo uma sincera contribuição para o estudo e adoção da melhor solução para o problema que o defronta, mais relevante que o da dominação pelas armas: a pacificação, num sentido largo e profundo, que reclama todo o patriotismo, toda a clarividência do estadista. Sentimos que falta ao governo autoridade moral para nos pedir contas por um procedimento exatamente igual ao que, dois anos antes, fez esse mesmo governo alcançar o poder. Então e agora as razões do movimento foram as mesmas: o ideal da legalidade. Então e agora as razões dos dissidentes foram as mesmas: força armada. A diferença contra nós – a nossa culpa única – é que não vencemos. E uma diferença a nosso favor é que não vencemos. E uma diferença a nosso favor é que o movimento que V. Excia. chefiou, golpeou um governo legal, ao passo que o nosso visou um governo que posterga o regime da Lei. Julgamos bastante claro, para dispensar justificativa, que não nos move a pretensão de querermos nos apropriar do Movimento Constitucionalista, nem pretendemos uma diminutio capitis de nossos colaboradores, perfeitamente identificados com o móvel da nossa atuação.

Bordo do navio presídio Pedro I, 30 de outubro de 1932.

 

a) Bertholdo Klinger, Gen. de Bda.

a) Euclydes Figueiredo, Cel.

 



Chefes Militares e o Governador Pedro de Toledo



Equipe do Governador Pedro de Toledo



Fonte.

FIGUEIREDO, E. Contribuição para a História da Revolução Constitucionalista de 1932: São Paulo, Livraria Martins Editora S.A., 1954. 340p.

 

 

 

 Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.

02/10/2020.


sábado, 19 de setembro de 2020

JOAQUIM NORBERTO DE TOLEDO JUNIOR.

 

HERÓI DA REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932.



 

Joaquim Norberto de Toledo Junior
              (Arquivo pessoal)


 

Quincas ou Quinzinho, como era mais conhecido, nasceu em São Pedro, estado de São Paulo, em 19 de setembro de 1906, filho do Professor e Coronel Joaquim Norberto de Toledo e da Professora Ambrosina Laudelina Bonilha de Toledo. Eram seus irmãos, Luiz e Geraldo, que também lutaram na revolução, Gertrudes, Marieta, Luiza, Maria Cândida, Ana Maria, Maria Augusta e Maria José. Alistou-se como voluntário em 16 de julho de 1932, em Piracicaba, no 1º Batalhão Piracicabano, sob o nº 1.079 do 4º B.C.R. e 2ª Cia. do 6º R.I.

Em 23 de julho seguiu para a frente Norte (Vale do Paraíba) onde já operava a 2º Divisão de Infantaria (2ª. D.I.O), sob o comando do General Euclides de Figueiredo.  Esteve nos setores de Queluz e Cruzeiro e depois acompanhou o mesmo batalhão para São José dos Barreiros e foi incorporado ao Destacamento do Coronel José Joaquim de Andrade. Participou de vários combates principalmente em Areias, Silveiras e Fazenda Palmeira.

Em Silveiras, o grupo de Quincas foi incorporado definitivamente ao 6º R.I. e era composto pelos piracicabanos Sargento Semionato, Cabo Lauro Catulé e os soldados Joaquim Norberto de Toledo Junior, Antonio Balestro, Barrento, Fernão, Eduir, Josaphat, Ruy, Tácito, Paulo e Henrique Gritti. Faziam parte também do grupo o fuzileiro Boanerges e o municiador 1.109 do 6º R.I.

 Em 28 de agosto foi transferido para o 6º Regimento de Infantaria (6º R.I.) com o qual seguiu para Guaratinguetá. Depois foi para Caçapava, Campos do Jordão e São Luiz do Paraitinga, onde o alcançou o armistício de 1º de outubro, recolhendo-se então ao quartel de seu regimento.

Após a Revolução Constitucionalista associou-se à Associação dos Ex-Combatentes de São Paulo (A Casa do Soldado da Lei), participou da Assembléia de Fundação da Sociedade Veteranos de 32 MMDC, como associado nº 15, conforme consta em Ata e trabalhou até sua morte na preservação da História da Revolução de 32.









VIDA PROFISSIONAL





Anteriormente ao ano de 1932 trabalhava com seu pai e irmãos na Fazenda Santa Gertrudes, São Pedro, de propriedade de seu pai. Após a Revolução e a venda da fazenda muda-se para São Paulo e ingressa na Escola de Polícia de São Paulo.

Foi funcionário público estadual, no Corpo de Segurança do Estado dos Negócios da Segurança Pública de São Paulo, classificado no Gabinete de Investigações.

Conforme suas anotações entrou, em 22/03/1936, para a Superintendência de Ordem Política e Social, como inspetor contratado permanecendo neste cargo até outubro. Em 20/10/1937 entrou para o Gabinete de Falsificações, foi transferido para a Radio Patrulha em 13/07/1938. Após concurso e exame foi admitido como Investigador do Corpo de Investigadores da Secretária de Segurança Dec. 9893-A. Recebeu a carteira e distintivo em 24/02/1939. Em 24/03/1939 recebeu o título e a nomeação como Investigador no Instituto de Criminologia. Foi transferido, após exames, para a Delegacia Especial de Falsificações em 30/01/1940 e passa a para a Delegacia de Vigilância e Capturas em 10/06/1942.  Trocou mais algumas vezes de setor e por final atuou também no Tribunal Superior Eleitoral.



Anotações de Joaquim Norberto








Casou-se em 1945 com Ana da Silva de Toledo, nascida em Guaíra estado de São Paulo, com quem teve cinco filhos: Luiz Augusto, José Joaquim, Maria Helena, Maria Aparecida e Joaquim Norberto de Toledo Neto.





Faleceu em 14 de maio de 1968 em consequência de um ataque cardíaco. Foi sepultado no cemitério de São Pedro, SP e em seu túmulo constam os dizeres, a seu próprio pedido:

 “Fui um homem feliz porque: nasci em São Paulo, vivi em São Paulo, lutei por São Paulo e morri em São Paulo”.

 

Neste dia 19 de setembro de 2020, 114 anos de seu nascimento, quero homenagear meu pai e agradece-lo pelo legado deixado.

 

 

Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo.

19/09/2020



domingo, 6 de setembro de 2020

7 de Setembro

 







7 de Setembro de 1932, no Setor Norte, especificamente no Túnel da Mantiqueira, na Garganta do Embaú, que fica localizado logo acima do Túnel, era o capitão Saldanha da Gama o comandante do Batalhão Auxiliar da Força Pública, composto de voluntários, conhecido por Batalhão Saldanha, em sua homenagem. Na Serra, dominada pelos constitucionalistas, destacava-se o local denominado Morro do Canhão (assim chamado, pois ali fora postado um canhão constitucionalista, de 105 mm). Na região, fronteiriça e estratégica entre os Estados de São Paulo (cidade de Cruzeiro) e Minas Gerais (cidade de Passa Quatro), e foi ali que a Bandeira do Brasil foi desfraldada. Antes, porém, calou-se a artilharia constitucionalista, silenciou-se as metralhadoras e os fuzis.

Os Soldados Constitucionalistas, no “celeiro de heróis da Revolução”, o Capitão Reynaldo Saldanha da Gama, nas trincheiras pelo lado Paulista, deslocou-se para o ponto mais elevado do morro.

Acompanhavam-no 4 soldados, com clarins, todos do 2º GAP - Grupo de Artilharia Pesado, do Exército Brasileiro, sediado em Quitaúna, uma guarda à Bandeira e demais Oficiais do QG - Quartel General. Finalizava a composição da comitiva um mastro improvisado, longo e tosco bambu verde e amarelo, que carregava a Bandeira Brasileira.

O próprio mandante da façanha (que não se esqueceu do memorável dia, apesar das agruras da guerra), Tenente - Coronel Theófilo Ramos, da Força Pública Paulista, estava presente. Era comandante do 2º BCP (atual 2º BPM/M, que realiza o policiamento, na Capital). Alcançando o cimo da elevação, por volta das 07:00 h, balas adversárias assobiavam sobre eles.

 

Perfilada a tropa, o Capitão Saldanha da Gama comandou:

- “Sentido!”

 Pouquíssimos segundos após, ordenou:

- “Em Continência à Bandeira, Apresentar, Armas!”

Os clarins, com o fôlego máximo dos 4 combatentes, cantaram o famoso toque, a “MARCHA BATIDA” (composta em 1894, lavra do Major Joaquim Antão Fernandes, da Força Pública Paulista, o mesmo ritmo que ainda é executada nos quartéis de norte a sul do país).

Talvez envergonhados, os disparos “do lado de lá”, do outro lado da montanha, cessaram...

Concomitantemente, o improvisado bambu elevou nosso Pavilhão naquela congelante colina. O desfraldar da Bandeira Nacional estava em curso. O eco dos clarins, transitoriamente, substituíram o soar das metralhadoras e o uivo das granadas...

Durante a execução do toque, o Exército Constitucionalista, formado por membros da Força Pública, do Exército Nacional bem como por Voluntários (veja em: encurtador.com.br/dmyB5), em reverência ao nosso Símbolo Maior, perfilou-se, em pé, no parapeito de suas trincheiras. Total era o desprezo ao inimigo, que ficara tímido com a ação inesperada, corajosa e patriótica.

No decorrer do ataque dos clarins cívicos, naqueles segundos preciosos, de trincheira em trincheira o brado era repetido: “Viva o Brasil! Viva São Paulo! Viva a Constituição!”

Entretanto, o inesperado aconteceu, fato raro que só se sucede com os nobres de consciência.

Do outro lado daquelas formações montanhosas, visíveis a poucas centenas de metros do Exército Constitucionalista, rente aos canhões e metralhadoras estava o adversário, o inimigo da ocasião, as tropas Ditatoriais.

Sem nenhuma ordem formal, de mesmo modo, com marcialidade, igualmente expondo suas silhuetas ao morticínio, prestaram continência à Bandeira verde-amarela. Repetiram a mesma frase constitucionalista: “Viva o Brasil! Viva São Paulo! Viva a Constituição!”, segundo testemunho do próprio capitão Saldanha da Gama, em entrevista concedida no ano de 1970.

Todas as Trincheiras ficaram em pé! Por um breve momento, pelo toque do clarim, com duração média de um minuto, a Guerra foi calada.

Com a última partitura executada, com a Bandeira já no alto do mastro, tremulante, em destaque no horizonte, outro comando do Oficial:

- “Descansar, Armas!”

Obedecida por nossa tropa. Automaticamente, balas, “vindas de lá”, com o zunir dos fuzis, felizmente, sem atingir ninguém, anunciava o término da breve trégua. Era o recomeço da barbárie, que alimentou o anjo da morte e ceifou a vida de inúmeros outros brasileiros, sob o olhar atônico, estático e estarrecido da “Mãe- Bandeira”.

No final do dia, quando o Sol se despedia da Mantiqueira, o capitão Arcy da Rocha Nóbrega, artilheiro do Exército Brasileiro, convocou a Oficialidade para assistir ao arriamento do Pavilhão Nacional. Similar ao ocorrido pela manhã, os clarins do 2º GAP tocaram, enquanto, suavemente, a Bandeira descia do mastro. Os Ditatoriais, em respeito, cessaram a fuzilaria, enquanto seus soldados mais uma vez ficaram de pé na Serra, magnetizados pelo momento solene.

Por tradição militar, fechando o evento, haveria o disparo de uma salva de 21 tiros de canhão. Entretanto, faltavam granadas constitucionalistas... Por improvisação, 21 foguetes foram lançados. Com a explosão do 1º, os Ditatoriais se esconderam, imaginando um ataque, mas, verificando a situação, voltaram a contemplar o acontecimento.

Quando o 21º foguete enviado explodiu no céu, o fusco lusco já dominava aquelas bandas. Os “Soldados de lá” ainda admiravam aquele mastro de bambu, à distância, nua, sem a “Manta Sagrada”. O silêncio, ensurdecedor e mortífero, imperou por algum tempo naquela rápida trégua...

Já noite, a primeira rajada era dirigida contra as trincheiras constitucionalistas, com a devida resposta, em forma de aço e chumbo. A proximidade dos oponentes, mediada pela “terra-de-ninguém”, ouviam-se os insultos recíprocos entre os combatentes. Tudo voltava à diabólica normalidade na Mantiqueira, local onde imperou, naqueles dias, o “deus da guerra”.

E foi neste dia, 7 de setembro de 1932, no intervalo entre o hasteamento e o arriamento do Pavilhão Nacional, que o Cabo Plácido Barbosa, integrante do Corpo de Bombeiros da Força Pública, que trocara o assovio das sirenes pelo o silvo das granadas, recebera gravíssimos ferimentos em combate, levado ao Hospital de Sangue de Cruzeiro- SP, cidade ao lado do Túnel da Mantiqueira falecendo naquele mesmo dia. Pela manhã tivera tempo de prestar continências à Bandeira Nacional e participar de sua última comemoração cívica.

A demonstração de patriotismo daqueles soldados brasileiros não pode ficar esquecida, fizeram uma trégua naquele 7 de setembro de 1932, por alguns instantes, por respeito e amor à Pátria assim como D. Pedro I, por amor ao Brasil, aceitou para si e seus descendentes o título de Defensor Perpétuo do Brasil e assim também, pelos mesmos ideais, no dia 7 de Setembro de 1822, cercado de patrióticos paulistas e de sua comitiva, às margens do riacho do Ipiranga, na cidade de São Paulo, declara a Independência do Brasil.

 

 

Fonte.

https://ultimosegundo.ig.com.br/policia/2018-09-07/7-de-setembro-guerra-civica.html(Texto de Sérgio Marques)

 







 


PLÁCIDO BARBOSA

 

Integrante de Unidade do Corpo de Bombeiros

Exército Constitucionalista do Setor Norte

 

Foi no dia 28 de Julho que o cabo Plácido Barbosa, do Corpo de

Bombeiros, embarcou para o Setor Norte, com o ânimo alevantado para combater, nas fronteiras de São Paulo, um fogo diferente, daquele contra o qual ele lutava, quase todo o dia, na Capital. Lá não havia o assovio das sirenes. Substituía-o o silvo das granadas.

Combatendo com primor, Plácido provou ser um valente. No dia7 de Setembro no Hospital de Sangue de Cruzeiro, pagou ele o seu tributo de amor à causa pela qual se batera. Morreu nesse dia, em consequência de graves ferimentos recebidos em combate. Foi sepultado no Cemitério local.

 Nascido em Bragança, no ano de 1914, era filho do Sr. Cesar Barbosa e da Sra. Julia Maria da Conceição.

Solteiro, deixou na corporação a que pertencia muitas amizades.

Em sua homenagem, uma Rua, na Vila Carrão, zona leste de São Paulo recebeu seu nome.

Fonte.

MONTENEGRO, B; WEISSHON, A. A. (org.) CRUZES PAULISTAS: os que tombaram em 1932 pela gloria de servir São Paulo: Empresa Gráfica da Revista dos Tribunais, 1936.516p.

 

 







D. PEDRO I

 

12 de Outubro de 1798, nasceu em Lisboa, no Real Paço de Queluz, o Príncipe D. Pedro de Alcântara Bragança e Bourbon, segundo filho varão do Príncipe D. João de Portugal e da Infanta espanhola D. Carlota Joaquina de Bourbon, filha do Rei Carlos IV. D. Pedro casou-se em 1818 com a Arquiduquesa da Áustria D. Maria Leopoldina, filha do Imperador e Rei Francisco I.

A 13 de maio de 1822 aceitou o título e encargo, oferecido pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro, de Defensor Perpétuo do Brasil.

No dia 7 de setembro de 1822, as margens do riacho Ipiranga, após a leitura de uma carta da Princesa e um oficio de José Bonifácio. A carta e o ofício contém um aviso dos Decretos tirânicos das Côrtes Portuguesas, chamando o Príncipe a Portugal para viajar incógnito e declarando nulas as medidas por ele tomadas no Governo do Brasil. Compreendeu o Príncipe o alcance destes decretos e exclamou: “Não cessam de cavar a nossa ruína!” Então desembainha a espada e segue a todo galope em direção à sua Guarda de Honra e mais pessoas de sua comitiva, que adiante o esperavam, proclamando resolutamente – Independência ou morte!

Em breve ao sentinela o avista e brada: às armas! Enquanto apressados correm os Guardas a seus postos, suspende o corcel e assim lhes fala: “Camaradas! As Côrtes de Portugal querem mesmo escravizar o Brasil; cumpre declarar já a sua Independência... Laços fora!” Todos arrancam o laço português que trazem no braço esquerdo, e muitos Guardas os dilaceram a fio da espada. Continuou D. Pedro: “Doravante teremos todos outro laço de fitas verdes e amarelas; e estas serão as cores brasileiras”. A Guarda de Honra se põe ao largo, debaixo de forma, e o Príncipe, elevando a espada, proclamou solenemente: Independência ou morte! A Guarda toda repete entusiasticamente por longo tempo as palavras do Príncipe: palavras sublimes que elevaram o Brasil à categoria de Nação livre e independente, e o Príncipe à glória de ser o fundador de um vasto império e de uma nova Dinastia.

A 12 de outubro, D. Pedro foi solenemente, no Rio de Janeiro, proclamado Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil. No dia 1º de dezembro, houve a cerimônia de Coroação, e desde esse momento legitimou-se a Dinastia de Bragança no sólio do Brasil; a independência foi irrevogável.

 







Fonte.

Álbum Imperial, anno I, nº2, 20 de jan. de 1906 (Arquivo pessoal).

 

Editado e publicado por Maria Helena de Toledo Silveira Melo

07/09/2020 .

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